28 de outubro, Rio de Janeiro

Eu acabei de chegar do Rio de Janeiro! Sim, no dia 28 de outubro, o dia mais letal da história da Polícia do RJ, eu estava dentro de uma comunidade no Morro da Babilônia trabalhando com Turismo de Base Comunitária e isso me fez repensar muito de como enxergamos tais conflitos e sua soluções “simples”. Este tem sido um dos trabalhos em que mais tenho crescido e aprendido.

Quando vivemos na nossa ignorância, cercados de informações que nos são recebidas somente através da mídia o nosso olhar para as comunidades é outro. Muito longe do que eu imaginava as comunidades não protegem o tráfico, não atacam policiais, elas são obrigadas a conviver, mas se escolha tivessem com toda certeza a presença mais constante do Estado organizado e honesto seria mais que bem vinda.
A linda comunidade da Babilônia e Chapéu Mangueira com quem tenho tido a honra de trabalhar falam com orgulho que foram pacificados, recebem muito bem a presença das bases e da UPP e por eles são tratados com respeito. Existe sim os bandidos, violentos, chefes, e assim como existem jovens que por falta de oportunidade ou por ilusão em não conhecer outra realidade são seduzidos a tal poder.
Mas a história que Turismo e o Reflorestamento Comunitário está trazendo há mais de 25 anos na COOPBabilônia é o exemplo claro de que boas políticas, um incentivo do privado, um olhar humano e novas oportunidades são capazes de mudar um futuro. A Coop Babilônia começou com um TAC, uma obrigação de fazer uma compensação ambiental e remoção de famílias de área de risco, e sabe qual foi a diferença? A comunidade foi contratada para fazer esse trabalho, e o que era para ser algo que poderia trazer revolta trouxe oportunidades e orgulho de fazer parte. Já foram mais de 100 vidas desde o começo de lá que receberam novas oportunidades e que hoje parte delas estão formados guias e condutores de turismo. Fazem guiamento no quintal de casa, mostrando a história e o trabalho com honestidade e orgulho de ser “cria de favela” contando histórias como a de R. ” Eu tinha tomado um tiro, era menor, tava escondido e foi quando vi um pessoal guiando e pensei: Não quero mais ser bandido, quero ser guia” e hoje ele trabalha no Brasil todo com Turismo.
Onde eu quero chegar com esse relato? Que é necessário sim combater o crime, mas que junto com ele venham as novas oportunidades, o investimento em dignidade e o olhar para quem ali vive e cria sua família honestamente. Turismo de Base Comunitária MUDA VIDAS! @agendapublicabrasil

sobre o autor

  • Niuara Leal possui mais de 15 anos de experiência em liderança e inovação no turismo sustentável e políticas públicas. Voltada ao desenvolvimento econômico local e regional com estratégias alinhadas à sustentabilidade e ao turismo responsável. Foi secretária Adjunta de Turismo e Assessora Especial em São Sebastião, possui mais de 12 anos como empreendedora na hotelaria e liderança em associações de Hotéis, Bares e Restaurantes, defendendo os interesses do setor. 🏆 Reconhecimentos: Iniciativas Premiadas no Braztoa de Sustentabilidade (2022 e 2023) e Top 3 no Prêmio Nacional do Turismo como Gestora Técnica. 🌍 Compromisso: Atua na conexão entre governos, empresas e comunidades, desenvolvendo políticas e projetos alinhados à Agenda 2030 da ONU para fortalecer o turismo sustentável e gerar impacto social positivo.

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