TEM ALGUMA COISA DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA

A expressão acima, retirada da célebre peça Hamlet, de William Shakespeare, é dita pelo personagem Marcellus ao perceber que algo de profundamente errado ocorria nos bastidores do poder da Dinamarca. No enredo, o fantasma do rei assassinado pelo próprio irmão simboliza a traição, a corrupção moral e a sede desmedida por poder.

Com o passar dos séculos, essa frase ganhou força e passou a representar situações em que há injustiça, deslealdade e interesses ocultos ameaçando o bem comum — especialmente na política e na vida pública.

Hoje, essa metáfora se aplica de forma inquietante à realidade de nossa cidade. Vivemos um episódio que nos obriga a refletir sobre o verdadeiro sentido da ética, da responsabilidade e do compromisso com a terra que nos acolhe.

De um lado, temos um prefeito comprometido com o futuro de São Sebastião, que compreende a importância estratégica do setor portuário para a geração de empregos, o desenvolvimento econômico e a manutenção da nossa identidade caiçara. Em gesto firme e corajoso, conseguiu junto ao Ministro dos Portos e Aeroportos assegurar que o Porto de São Sebastião mantenha seu caráter público — garantindo a livre concorrência, o equilíbrio econômico e a justa exploração das atividades portuárias em benefício da população.

Do outro lado, surge uma autoridade portuária que, embora dotada de conhecimento técnico, demonstra ausência de vínculo afetivo, social e moral com o município que representa. Um agente alheio à realidade local, comprometido com interesses externos e financeiros que não refletem as necessidades da comunidade sebastianense.

Essa postura ameaça impor à nossa cidade um modelo de arrendamento portuário que, sob o pretexto de eficiência, transfere o controle do nosso porto para grupos privados e estrangeiros, afastando o poder público local e limitando a liberdade econômica que hoje sustenta centenas de famílias. Trata-se de um formato que comprometeria a autonomia da cidade por décadas, ferindo o princípio da livre concorrência e a soberania sobre nosso principal patrimônio econômico.

É nesse contexto que ecoa novamente a frase de Shakespeare: “Há algo de podre no reino da Dinamarca.” A “Dinamarca”, agora, é São Sebastião — e o que há de podre são as forças externas que buscam subjugar nosso povo e transformar um bem público em instrumento de lucro privado.

Por isso, manifestamos nosso total apoio ao Prefeito Reinaldo Alves Moreira Junior, filho da terra, filho de portuário, homem que compreende, pela herança e pela vivência, o valor do trabalho e a importância de preservar o legado portuário de São Sebastião.

Defendemos o porto público, a livre concorrência, a transparência, o desenvolvimento sustentável e o direito do nosso povo de decidir o próprio destino.

Somos todos São Sebastião.
Somos todos Porto de São Sebastião.
Pela liberdade econômica, pela dignidade de nossa gente e pelo futuro das próximas gerações.

Parabéns, Prefeito Reinaldo Alves Moreira Junior — filho de portuário, caiçara e defensor da nossa cidade.

Luiz Felipe da Costa Santana

sobre o autor

  • Advogado com especialização em Direito Marítimo e Portuário. foi responsável pelo gerenciamento da Área Comercial Portuária por 20 anos, atualmente é conferente de carga do Porto de São Sebastião, Foi diretor de Assuntos Portuários da Prefeitura Municipal de São Sebastião, Representante da SOPESP – Sindicato dos Operadores Portuários de São Paulo no CAP (Conselho da Autoridade Portuária) do Porto de São Sebastião, eleito pela Classe empresarial do CAP como representante desta no CONSAD (Conselho de Administração) das DOCAS SÃO SEBASTIÃO e Docência em Curso de Gestão Portuária na FATEC – Faculdade de Tecnologia de São Paulo na cidade de São Sebastião, na disciplina de Legislação Portuária e Marítimo .

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