Sobre trolls, hienas e políticas públicas

Ontem, dia 20 de janeiro foi comemorado dia de São Sebastião, nosso patrono.

Para quem é de fé, ou não, é hora de respirar fundo e encarar 2026. Ano eleitoral é sempre complicado, mesmo que a eleição não seja para a esfera municipal, as cidades sentem e muito. Tem gente tentando, genuinamente, conquistar um cargo federal (o que seria ótimo para a região), outros testando sua popularidade e a oportunidade para visitar as pessoas mirando futuras eleições e tem também, as hienas. Gente que aparece de tempos em tempos só para tumultuar. Acredita que denúncias e gritarias virtuais vão garantir algum destaque. Dia sim e outro também estas figuras aparecem esbravejando frente a qualquer problema. Curioso que elas pulam de um problema para o outro, com a mesma energia, dependendo da reação da audiência. A questão não é o problema em si, mas a visibilidade que a gritaria e indignação podem gerar.

No começo de janeiro, uma jovem perdeu a vida em um ônibus em São Sebastião. Difícil chamar de acidente, tenho para mim que acidente é outra coisa. Mas estão investigando e eu espero de coração que encontrem os culpados e sejam responsabilizados, perder a vida de uma forma tão banal tornou tudo mais hediondo. Tinha 26 anos e dois filhos. Eis que aparecem os justiceiros de ano eleitoral, querem porque querem politizar. Seguem em manobras mentais mirabolantes para que os aliados sigam inocentes e adversários políticos culpados.  Zero compromisso com a dor, a perda ou a realidade. É só palco. Do dia 6 ao dia 20 de janeiro passamos do “nunca te esqueceremos” ou “justiça para a família” para o total silencio. Não se comenta mais, sabe por quê? Porque a audiência não permitiu a politização do caso.  Eles se envergonham? Imagine. Depois que o circo passou, a família continua em luto. Eu acho que há maneiras mais dignas de ganhar dinheiro, mas enfim.

Depois a grande denúncia do momento era a não publicação da LOA, mesmo com a PPA e a LDO publicadas. Administração publicou a LOA e explicou o atraso por problemas técnicos. O que foi encarado como “um grande erro de gestão” ou ainda que “A sociedade de São Sebastião não pode ser refém de “explicações técnicas”. A figura nunca apareceu em nenhum dos encontros promovidos para a discussão do orçamento e pessoalmente não consigo ver alternativa para discussão pública sem explicações técnicas. Sabe por que este povo não vai até o ministério público? Porque sabem que não há nada ali, só gritaria para tentar alguma relevância.

Agora, a indignação da semana são “áudios vazados” de suposto esquema na banda municipal. Uns três gritaram, como não houve eco, as hienas políticas se recolheram e logo passarão para o próximo assunto.

A cidade passa por problemas sérios, há desafios reais como lixo, meio ambiente, abastecimento de água ou energia, equilíbrio das contas públicas, fluxo turístico, empregos, etc. Há um espaço enorme para discutir a cidade, apresentar soluções ou apontar problemas, mas para as hienas eleitorais o importante mesmo é sua performance.

A sociedade tem dado pistas sobre a mudança de comportamento, acho que cansamos dos TROLLs. Um exemplo bem didático para o que eu quero dizer, foi a participação relâmpago do participante Pedro no BBB, ele era uma figura desinteressante e sabia disto, em busca de relevância tentou emplacar alguns conflitos com comportamento errático. A ideia, apesar de batida, já funcionou outras vezes, o problema foi a execução dele e a exaustão das pessoas, nem o público e nem os outros participantes embarcaram na dele. Não se fala mais dele, nem mesmo para criticar, riscado da vida pública como deve ser.

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  • Formada em comunicação com habilitação em cinema, trabalhou em diversos festivais dentro e fora do Brasil. Foi curadora e produtora de cinema, atualmente trabalha com pesquisa de mercado, comunicação institucional e marketing político

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