8 de março

Mais um 8 de março chega e nós, mulheres, sem motivos para comemorar. O estado de São Paulo registrou um aumento alarmante nos casos de feminicídio, com um crescimento de 96,4% nos últimos quatro anos. O ano de 2025 encerrou com 270 mulheres assassinadas, o que corresponde a uma mulher assassinada a cada 33 horas, onde 70% aconteceram dentro de casa. DENTRO DE CASA.

Mais um 8 de março chega e nós, mulheres, sem motivos para comemorar. O estado de São Paulo registrou um aumento alarmante nos casos de feminicídio, com um crescimento de 96,4% nos últimos quatro anos. O ano de 2025 encerrou com 270 mulheres assassinadas, o que corresponde a uma mulher assassinada a cada 33 horas, onde 70% aconteceram dentro de casa. DENTRO DE CASA.

Sempre importante reafirmar que os números no qual nos referimos aqui são o registro de crimes cometidos com motivação gênero, diferente do crime comum que não levam em conta o gênero da vítima.

Entendo que estas mortes são resultado de pouca seriedade ao discutir políticas públicas. Quando o Governo Federal, depois de um hiato de 10 anos, promoveu uma Conferência para discutir políticas públicas para as mulheres, o Governo Estadual, por sua vez, tentou limitar nossa participação, impondo pautas e ignorando nossas demandas. Graças a nossa coragem, união e luta para que nossos direitos fossem respeitados participamos da 5° Conferência Nacional de políticas para Mulheres e conseguimos defender nossas pautas.

Somos muitas e diversas. Mães, tias, irmãs, avós, evangélicas, ateias, pretas, brancas, cis, trans, etc.. Mas infelizmente, nenhuma de nós está a salvo.

Os crimes contra mulheres são esmagadoramente cometido por homens, e próximos. São pessoas que confiamos, cuidamos e criamos.

O caminho para mudar esta realidade é aprender a nos valorizar, assumir o protagonismo da nossa história, conquistando nossa independência financeira e não aceitar qualquer migalha de atenção.

E é sempre bom lembrar que, mulher vota em mulher. Para dai, quem sabe, poderemos comemorar os próximos 8 de março.

sobre o autor

  • Mulher trans, começou sua trajetória como modelo/manequim e produtora de eventos em Ubatuba, cabeleireira, se formou auxiliar de Enfermagem, téc. de Enfermagem, atualmente cursa o último ano de Enfermagem na faculdade do Módulo em Caraguatatuba-SP. Atuou como atriz em projetos como “Casa dos Desesperados” (TV Gazeta, com Sérgio Mallandro), no filme “Meu nome é Gal”. Eleita 1ª Princesa Glamour Gay de São Sebastião (2017) e Rainha do carnaval Trans em Caraguatatuba (2024). Além de artista, Thífany Félix é uma voz ativa na sociedade: Presidente do Fórum LGBT+ do Litoral Norte Paulista, Conselheira da Saúde e da Cultura de Caraguatatuba, foi eleita delegada na Conferência da Mulher do Estado de SP e para Nacional e a primeira mulher trans a concorrer à prefeitura dentro do estado de São Paulo, pelo município de Caraguatatuba.

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