“Qualquer idiota que fala contra o sistema é aplaudido”

A frase, dita pelo presidente Lula em entrevista ao Washington Post é uma síntese do que vivemos hoje. Não só no Brasil ou na América Latina, mas em todo o mundo. Como todo mundo é muita coisa, vamos focar em São Sebastião.

Mas antes de chegar em São Sebastião, completo o pensamento do presidente: “A democracia falhou quando parou de responder às aspirações mais básicas das pessoas.”

Agentes políticos trabalham em prol da população, podem não representar a sua tribo, podem carregar valores que não são os seus, mas é a regra democrática: maioria determina o caminho e não a melhor solução, um dos impasses democráticos e a raiz de muito ressentimento. Alie isto a crescente influência da justiça, órgãos fiscalizadores, tratados internacionais, acordos comerciais e, pasmem, dinheiro. Sim, influência pode ser comprada. Sobra pouco espaço para a maioria decidir, o que já é um problema enorme.

Nossos vereadores. Criticar político engaja público e garante like, o problema é criticar com alguma substância, isto daria trabalho, melhor usar frases de efeito e permanecer na superfície. Não é raro encontrar matérias e postagens criticando os vereadores, o teor é de chorar. Não falam absolutamente nada, os textos são tão genéricos que poderiam ser usados para qualquer vereador, de qualquer cidade. Talvez explique porque tantos são reeleitos. Uma claque segue ressentida, engajando, mas não apresenta soluções, não consegue, sequer, explicar porque não gosta da atuação do vereador. O engajamento e a revolta não ultrapassam o sofá de casa. Articular, pensar propostas e reunir votos dá muito trabalho, melhor chamar todo mundo de ladrão e seguir no sofá.

Fui conversar com alguns dos vereadores, procurei alguns dos quais eu me simpatizo e outros nem tanto. Afinal, o que vocês trouxeram e fizeram para São Sebastião?

Henriana, vereadora de primeiro mandato, trouxe emenda de 600 mil para a construção da ciclovia na Topolândia. João Paulo, outro vereador de primeiro mandato, trouxe dinheiro para reforma da UBS no canto do mar e para a construção de uma piscina na costa norte.

Quando seguimos para vereadores com mais de um mandato, as ações dobram. Só para citar algumas, o vereador Daniel Simões trouxe 1 milhão para o centro de hemodiálise, 300 mil para a reestruturação do society de Cambury, vereador Daniel Soares foi responsável pela ampliação do atendimento médico especializado.

Isto, só para citar alguns dos vereadores e sem citar as emendas impositivas, projetos de leis ou atendimento à população. As verbas de gabinete servem para isto, mobilidade para que o vereador consiga trabalhar. Eu já trabalhei em cidades onde os vereadores não têm nenhuma estrutura, nada acontece. Simples assim.

Outro ponto importante das verbas, segue a mesma lógica do fundo partidário e teto de gastos. Equidade. Tenta equilibrar a participação política do líder comunitário ao empresário cheio de dinheiro. Curioso é ver as mesmas pessoas que criticam as verbas parlamentares, querendo mais representatividade popular. Como isto se daria? Do sofá de casa?

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