Aconteceu comigo. Pela Rio-Santos, eu voltava de Parati para São Sebastião numa bela manhã de sol. Logo após a divisa RJ-SP e a descida de Picinguaba, no início da longa reta de Ubatumirim, não se via nenhum veículo em qualquer direção. “Eu e o mundo sozinho”, sorri. Acelerei um pouco mais e abri as janelas do carro para sentir o vento na minha cara.
Mas eis que logo vejo, mais à frente, um carro parado no acostamento. Modelo igual ao meu – e de mesma cor. Em seguida, vejo também outro carro vindo em minha direção. Também era igual ao meu. E de mesma cor.
Aí, acontece o acaso (ou coincidência) incrível: num exato instante, numa estrada vazia, três carros iguais se encontram no mesmo ponto – um em cada direção, outro parado. Três carros iguais alinhados no mesmo trecho, no mesmo instante, em sentidos contrários, em uma estrada completamente vazia! É muita coincidência, não é? Não sei se os outros dois motoristas prestaram atenção no fato, mas eu achei um acaso sensacional. Mas… apenas isso, um acaso – sem causas ou consequências.
Já uma conhecida de caminhadas praianas acha que o encontro dela com o marido estava “escrito nas estrelas”, pois “não pode ser acaso eu ter conhecido o amor de minha vida da maneira que foi” (não, não sei “a maneira que foi”). Ainda me falou que “nada nem ninguém acontece na sua vida por acaso. Está tudo desenhado no destino da cada um. Não foi o acaso, certa vez, que me fez perder um ônibus que se acidentou e onde muita gente perdeu a vida. Não era a minha hora”.
Outra conhecida, caixa na peixaria da Associação de Pescadores daqui, também não crê em acasos. Segundo ela, “não foi coincidência eu estar passeando em São Paulo,
na casa da minha mãe, justamente quando ela caiu doente e precisou de mim”.
Evidentemente, existem vários relatos similares, com maior ou menor gravidade nos acontecimentos. Então, muita gente acha que “acasos e coincidências” não existem.
Tudo – mas tudo mesmo! – estaria interligado de alguma maneira “cósmica” no universo (pesquise “acaso não existe” no Gooooooogle e você terá uma ideia). Mas, para mim, casos como o que iniciei esta crônica são simplesmente coincidências. Ou acasos, mesmo.
Meu amigo João, o filósofo, alerta: “a frase feita ´o acaso não existe` traz embutida em si algumas ideias que, se pararmos para pensar um pouco, não terão o respaldo da maioria das pessoas, mesmo as religiosas. Essa frase pressupõe que todos nós temos o destino traçado e definido, o que é meio complicado… Determinismo é demais para as mentes livres. Como fica o tal de livre-arbítrio? Nós podemos, sim, mudar
completamente o rumo da nossa existência, dependendo das nossas escolhas na vida”. Sábio, o João.
Você também deve ter suas histórias, não? E aí, o que acha do acaso?
Julho 2014

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