Felipe Zangado – Alcatrazes https://alcatrazes.com cultura e política Wed, 19 Nov 2025 15:29:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://alcatrazes.com/wp-content/uploads/2025/03/logo-Alcatrazes-branco-2-150x150.png Felipe Zangado – Alcatrazes https://alcatrazes.com 32 32 TEM ALGUMA COISA DE PODRE NO REINO DA DINAMARCA https://alcatrazes.com/tem-alguma-coisa-de-podre-no-reino-da-dinamarca/ Thu, 23 Oct 2025 20:57:10 +0000 https://alcatrazes.com/?p=539

A expressão acima, retirada da célebre peça Hamlet, de William Shakespeare, é dita pelo personagem Marcellus ao perceber que algo de profundamente errado ocorria nos bastidores do poder da Dinamarca. No enredo, o fantasma do rei assassinado pelo próprio irmão simboliza a traição, a corrupção moral e a sede desmedida por poder.

Com o passar dos séculos, essa frase ganhou força e passou a representar situações em que há injustiça, deslealdade e interesses ocultos ameaçando o bem comum — especialmente na política e na vida pública.

Hoje, essa metáfora se aplica de forma inquietante à realidade de nossa cidade. Vivemos um episódio que nos obriga a refletir sobre o verdadeiro sentido da ética, da responsabilidade e do compromisso com a terra que nos acolhe.

De um lado, temos um prefeito comprometido com o futuro de São Sebastião, que compreende a importância estratégica do setor portuário para a geração de empregos, o desenvolvimento econômico e a manutenção da nossa identidade caiçara. Em gesto firme e corajoso, conseguiu junto ao Ministro dos Portos e Aeroportos assegurar que o Porto de São Sebastião mantenha seu caráter público — garantindo a livre concorrência, o equilíbrio econômico e a justa exploração das atividades portuárias em benefício da população.

Do outro lado, surge uma autoridade portuária que, embora dotada de conhecimento técnico, demonstra ausência de vínculo afetivo, social e moral com o município que representa. Um agente alheio à realidade local, comprometido com interesses externos e financeiros que não refletem as necessidades da comunidade sebastianense.

Essa postura ameaça impor à nossa cidade um modelo de arrendamento portuário que, sob o pretexto de eficiência, transfere o controle do nosso porto para grupos privados e estrangeiros, afastando o poder público local e limitando a liberdade econômica que hoje sustenta centenas de famílias. Trata-se de um formato que comprometeria a autonomia da cidade por décadas, ferindo o princípio da livre concorrência e a soberania sobre nosso principal patrimônio econômico.

É nesse contexto que ecoa novamente a frase de Shakespeare: “Há algo de podre no reino da Dinamarca.” A “Dinamarca”, agora, é São Sebastião — e o que há de podre são as forças externas que buscam subjugar nosso povo e transformar um bem público em instrumento de lucro privado.

Por isso, manifestamos nosso total apoio ao Prefeito Reinaldo Alves Moreira Junior, filho da terra, filho de portuário, homem que compreende, pela herança e pela vivência, o valor do trabalho e a importância de preservar o legado portuário de São Sebastião.

Defendemos o porto público, a livre concorrência, a transparência, o desenvolvimento sustentável e o direito do nosso povo de decidir o próprio destino.

Somos todos São Sebastião.
Somos todos Porto de São Sebastião.
Pela liberdade econômica, pela dignidade de nossa gente e pelo futuro das próximas gerações.

Parabéns, Prefeito Reinaldo Alves Moreira Junior — filho de portuário, caiçara e defensor da nossa cidade.

Luiz Felipe da Costa Santana

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Porto de São Sebastião, estratégico ou não? https://alcatrazes.com/porto-de-sao-sebastiao-estrategico-ou-nao/ https://alcatrazes.com/porto-de-sao-sebastiao-estrategico-ou-nao/#respond Wed, 30 Jul 2025 15:43:55 +0000 https://alcatrazes.com/?p=368

Nos recentes anos da “descoberta” do Brasil era necessário fazer o mapeamento costeiro do território recém “descoberto” e incorporado ao território colonial da “grande nação portuguesa”.

            Sendo pra isso contratado um grande e famoso cartografo da época, que por nosso canal passou nos idos do ano de 1.502, registrando em seu mapa o batismo de um acidente geográfico, denominado Ilha de São Sebastião, em razão de ser esse o santo do dia em 20 de janeiro e que, também, registrou em seu mapa a informação que ali estavam as condições de um porto, o qual denominou “Porto de São Sebastião”.

            Esse registro era de suma importância e crucial as estratégias de colonização portuguesa, sabedores que eram onde seria seguro aportar seus navios e iniciar suas aventuras em busca de riquezas.

            Desse início das grandes navegações até os dias de hoje, os portos são considerados por si só como áreas estratégicas, principalmente, para as relações comerciais entre os países.

            Existem mais de 2.000 portos espalhados pelo planeta, sendo que alguns deles merecem destaque, seja por seu tamanho em movimentação de cargas, seja pela importância em suas rotas, pela origem e destinos de cargas ou por suas condições naturais.

            No caso de São Sebastião são dois os pontos que destacam a importância do nosso porto na logística portuária em nosso país e para o mundo: o primeiro está no mapa de Américo Vespúcio, quando ele identifica as condições naturais da nossa área portuária, como local abrigado, protegido por uma grande ilha, com duas entradas marítimas e com grande profundidade; o segundo ponto está no fato de que por essas condições geográficas a Petrobras instalou aqui, nos anos 60, o seu maior terminal de granel líquidos, responsável por mais de 55% da movimentação de petróleo e seus derivados do Brasil, considerado o maior terminal de granel líquido da América Latina, capaz de receber os maiores petroleiros do mundo.

            Portanto, por essas duas características o Porto de São Sebastião se destaca nacional e internacionalmente, por sua natureza e atividade comercial do seu principal produto.

            Vindo para os dias de hoje, vemos o nosso porto de carga seca em destaque nos debates logísticos portuários, tendo em vista a abertura de estudos para o seu primeiro arrendamento da história, após 70 anos de operação, Brasília se movimenta para entregar um estudo final com o objetivo de por em leilão do SSB01, o primeiro arrendamento desse porto.

            Porém, a questão posta é: qual o modelo de arrendamento? Será ele parcial, permitindo a livre concorrência, a liberdade econômica, garantindo o abastecimento das cadeias produtivas ou será total, impondo o abuso econômico, suprimindo a concorrência, pondo em risco toda a cadeia logística hoje existente?

            As diferenças desses dois modelos vão além dos princípios básicos de uma economia de mercado acima expostos no questionamento, pois a depender do modelo decidido pelo Governo Federal, o destino de centenas e, quiçá, milhares de empregos e famílias estarão sob risco e, nossa economia local e regional impactadas.

            No modelo parcial de arrendamento da área portuária, se permite a existência de outras empresas concorrendo com suas cargas e disputando os berços públicos.

Hoje o porto possui 5 operadoras portuárias que juntas têm em suas carteiras de empregados mais de 600 pessoas empregadas, que em conjunto com outras dezenas de empresas que atuam no mercado portuário, somam mais de 2.500 empregados que sustentam nossa economia local e regional.

            O Porto de São Sebastião no último ano arrecadou mais de 1 Bilhão de reais entre impostos federal, estadual e municipal, bateu recorde operacional e financeiro e pode ir muito além disso, mas desde que seja preservada a concorrência saudável entre as empresas privadas que atuam no porto.

            O segundo modelo, ou seja, o arrendamento total elimina toda a concorrência e impõe goela abaixo de toda a comunidade local o famigerado Monopólio Privado, modelo abominado por qualquer economia moderna do mundo livre.

            Mas, infelizmente, esse é o modelo que aparentemente vem ganhando forma na Secretaria Nacional de Portos, departamento ligado ao Ministério de Portos.

            No último dia 15 de julho do corrente ano, o Prefeito de São Sebastião Reinaldinho Moreira, juntamente com um grupo que compõe o Comitê de Desenvolvimento do Porto de São Sebastião, formado por empresários do setor portuário, sindicatos dos trabalhadores portuários e demais membros da nossa sociedade civil organizada, estiveram numa reunião em Brasília com o responsável pela Secretaria, Sr. Alex Sandro de Ávila, onde tanto o prefeito, como um representante dos empresários e o Presidente do Comitê externaram as preocupações sobre o impacto negativo de um modelo de arrendamento que imponha um Monopólio privado na atividade portuário.

            Apesar de todas as boas argumentações sustentadas pelos oradores, a resposta ouvida por todos foi um sonoro “DECISÃO TOMADA” sobre o MONOPÓLIO e ainda com requintes de cinismo e arrogância foi dito a todos que esse seria o modelo porque o Porto de São Sebastião não é atrativo ao mercado, sendo de baixa relevância e pouca importância às estratégias portuárias do Brasil.

            No entanto, logo após essa reunião e com as notícias sobre o modelo a ser apresentado nas mídias especializadas, as maiores empresas de armadores (donos de frotas de navios) do mundo, manifestaram interesse sobre o arrendamento, além de outras empresas nacionais que já cercam as autoridades com intuito de tomar o porto pra si e “chama-lo de seu”!

            Fosse esse porto pouco atrativo ou nada estratégico, pouco ou nenhum interesse sobre ele seria revelado nessas consultas.

            O Porto de São Sebastião está dentro do eixo Rio-São Paulo, a 100 km de uma das regiões mais ricas e industrializadas do país, o Vale do Paraíba, entre os principais portos do Brasil, Santos e Rio, tem uma profundidade natural que o torna o 3º melhor do mundo em condições naturais, não encontrado em quase nenhum lugar do mundo.

Nas 3 Américas, tanto na costa leste como na oeste, não há outro igual, mas mesmo assim o cinismo e o mal caratismo regado com arrogância, tenta jogar nosso porto no limbo da insignificância.

            No entanto, o que está em jogo é muito mais que o porto de São Sebastião, está em jogo a economia da nossa cidade e das cidades vizinhas, está em jogo a cadeia logística de toda Região Metropolitana do Vale Paraíba e do Estado de São Paulo.

            O Porto de São Sebastião tem hoje 70 anos de operação, completos no dia 20 de janeiro desse ano e, agora, alguém com requintes do que há de pior em um ser humano, se julga capaz de nos amaldiçoar por 70 anos (período previsto para o arrendamento) à frente, debaixo de um MONOPÓLIO PRIVADO, que é a pior forma de gerir um negócio dentro de um setor economicamente produtivo.

O MONOPÓLIO é a pratica comercial dos mafiosos e gangsters, nossa sociedade e a comunidade portuária não poderá permitir que esse mal nos aflija e nos condene a própria sorte de uma incerteza econômica dessa natureza.

            Razão pela qual o COMPORTO, juntamente com as autoridades constituídas da nossa cidade e da região, especialmente, os Prefeitos Reinaldinho de São Sebastião e Toninho Colucci de Ilhabela irão buscar os caminhos políticos adequados para impedir que um sistema tão abominável de exploração do capital seja posto em prática em nossa cidade, assolando a região de uma espécie de feudo econômico, onde senhores Feudais farão , honesto e trabalhador, povo caiçara do Litoral Norte um bando de vassalos!!!

            Não sabemos qual será o fim que nos reserva nessa luta, mas sabemos que a única escolha que temos é lutar e, lutaremos até o último segundo, até o último suspiro, até o último homem, seja qual for o resultado, mas se nos vencerem não será sem antes ter uma dura e pesada luta!!! São Sebastião, 28 julho de 2025

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Arrendamento e expansão do Porto de São Sebastião https://alcatrazes.com/arrendamento-e-expansao-do-porto-de-sao-sebastiao/ https://alcatrazes.com/arrendamento-e-expansao-do-porto-de-sao-sebastiao/#respond Mon, 02 Jun 2025 20:41:24 +0000 https://alcatrazes.com/?p=279 O Porto de São Sebastião passa por um momento crítico da sua história, decisões tomadas a milhares de quilômetros definirão nosso destino como cidade e o quão benéfico ou não será seu arrendamento e expansão para nosso povo e para o desenvolvimento sustentável da nossa economia.

No dia último dia 13 março ocorreram diversas reuniões com o INFRA S/A e a comunidade portuária de São Sebastião, em uma nova rodada de informações sobre o status do processo, alterações de modelagem e coleta de posicionamento do setor local.

Nessas reuniões individualizadas com os operadores locais e com o Comitê de Desenvolvimento do Porto de São Sebastião – COMPORTO, foi informada a radical alteração inicial do projeto, no qual o arrendamento, anteriormente integrado ao porto público, com manutenção de áreas públicas, respeitando as características de competitividade e liberdade de mercado, passaria a ser regido sob a ótica e com o objetivo exclusivo de tornar a exploração do Porto de São Sebastião sob a égide de um MONOPÓLIO PRIVADO.

O MONOPÓLIO PRIVADO é a antítese do desenvolvimento econômico de qualquer setor, traz insegurança jurídica ao mercado que depende daquela atividade, torna os dependentes da atividade reféns do arbítrio econômico/financeiro de quem detém o referido MONÓPOLIO.

Esse modelo não satisfaz a sociedade com livre concorrência de mercado, não torna o setor competitivo, destrói empresas concorrentes, elimina mercados de trabalho e, no caso do setor portuário, coloca em risco todas as cadeias logísticas desenvolvidas ao longo de décadas em torno da Poligonal Comercial daquele Porto.

Essa modelagem de privatização do setor público, de um modo geral, já está sendo identificado como “FINANCEIRIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO URBANO”, que o setor portuário não tem escapado, onde se impõe a “lógica financeira” na formulação e execução de políticas públicas, tais como a atividade portuária.

Exemplos desse fenômeno não faltam no país, tais como o Porto de Vitória, no Espírito Santo, hoje “Desestatizado” e o de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, hoje sob concessão exclusiva de exploração da atividade portuária para um único player, cujas modalidades são distintas, mas com efeitos similares ao contexto portuário e com seus impactos negativos na hinterlândia comercial.

Em ambos os casos houve uma grande oscilação da movimentação de cargas, em especial  Angra, com um declínio acentuado, minguando a atividade portuária à exclusiva movimentação de cargas off-shore, com baixíssima utilização de mão de obra e redução na arrecadação fiscal, maximizando os ganhos do concessionário, ao passo que em Vitória após ajustes tarifários e dos contratos vigentes, as receitas obtiveram um salto de 39.56% para os investidores, sem que isso correspondesse ao aumento de movimentação de cargas, ao contrário, houve queda nessa movimentação.

A Prefeitura Municipal de São Sebastião e a sociedade civil organizada, bem como toda a comunidade portuária, posicionam-se CONTRA sobre o processo em andamento.

Assim, unimos forças e estamos lutando em todas as instâncias, buscando esclarecer todas as consequências que podem advir dessa abominável modelagem de gestão e exploração portuária e pra isso apresentamos números.

I – DOS IMPOSTOS ARRECADADOS:

A atividade Portuária de São Sebastião arrecadou para os cofres públicos do Município algo em torno de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais) em 2.024 e, ao longo dos últimos dois anos e meio, o valor de R$ 111.770.535,66 (cento e onze milhões, setecentos e setenta mil, quinhentos e trinta e cinco reais e sessenta e seis centavos).
*fonte: Secretaria da Fazenda Municipal de São Sebastião.

Movimentou ao longo do ano de 2.024, em valores CIFs das suas mercadorias, a quantia de US$ 922.234.000,00 (novecentos e vinte e dois milhões, duzentos e trinta e quatro mil dólares), equivalente a R$ 5.238.289.120,00 (cinco bilhões, duzentos e trinta e oito milhões, duzentos e oitenta e nove mil e cento e vinte reais), valor aduaneiro que serve de base para a arrecadação do principal imposto do Estado, o ICMS, cuja estimativa em arrecadação desse imposto pela atividade portuária de São Sebastião alcança a quantia de R$ 942.892.041,16 (novecentos e quarenta e dois milhões, oitocentos e noventa e dois mil, quarenta e um reais e dezesseis centavos). *fonte: Companhia Docas de São Sebastião.

O equivale dizer que só em impostos estadual (ICMS) e municipal (ISS) o Porto de São Sebastião arrecada cerca de R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais).

II – DOS OPERADORES PORTUÁRIOS:

O Porto contempla cinco operadores portuários que conjuntamente somam 451 colaboradores, cuja a média salarial desses está em R$ 5.200,00 (cinco mil e duzentos reais). *fonte: Recursos Humanos das Operadoras Portuárias.

Nos últimos 3 anos os investimentos feitos por esses importantes atores do mercado portuário sebastianense, entre equipamentos e áreas de armazenagem, alcançam até aqui a cifra aproximada de R$ 389.500.000,00 (trezentos e oitenta e nove milhões e quinhentos mil reais). *fonte: Departamento Financeiro das Operadoras Portuárias.

III – DOS SINDICATOS LABORAIS:

Em São Sebastião, 6 sindicatos atuam na Orla Portuária representando mais de 250 trabalhadores que participam das atividades de movimentação das cargas no Porto, desde as áreas administrativas da Companhia Docas até os porões dos navios.

IV – DAS EMPRESAS DE APOIO PORTUÁRIO E MARÍTIMO:

São 16 agências marítimas, 9 empresas de apoio marítimo e à navegação, 2 empresas de logística, 5 empresas de armazéns gerais, 3 empresas de manutenção naval, que somando a mão de obra empregada nessas atividades alcançam 722 (setecentos e vinte e dois) colaboradores.

Somadas as diversas atividades inerentes ao setor portuário há um quantitativo de 1.423 (mil quatrocentos e vinte e três) colaboradores empregados na atividade, gerando emprego e renda ao povo de São Sebastião.

V – DA CADEIA LOGÍSTICA DO PORTO DE SÃO SEBASTIÃO

O Porto de São Sebastião possui uma hinterlândia comercial que atende à demanda de uma vasta cadeia logística para as mais diversas atividades industriais e agrícolas do Vale do Paraíba, Oeste Paulista, Sul de Minas Gerais e Sul Fluminense.

Por esse Porto nos últimos dois anos transitaram mais de 2.500.000 tons (dois milhões e quinhentos mil) atendendo a demanda de mais de 250 empresas voltadas para a Indústria vidreira, que atende à indústria automobilística e da construção civil, além das empresas voltadas ao setor cosmético dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Ao Agronegócio atende ao setor sucroalcooleiro e à Agropecuária de médio e pequenos porte, compreendendo a produção pecuária dos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais e etc.

Enfim, o posicionamento da comunidade portuária e da prefeitura de São Sebastião é de ser contra um projeto de arrendamento e ampliação na modelagem embasada no MONOPÓLIO PRIVADO, que fará bem à poucos e será péssimo para tantos, este model aniquila da noite pro dia 5 operadores portuários, extermina 5 Recursos Humanos que têm abaixo deles aproximadamente 540 pessoas na sua folha de pagamento, põe em risco os trabalhadores portuários avulsos dos sindicatos do cais público, diminui não só as vagas de trabalho, como diminui a capacidade de ganhos dos trabalhadores que terão seus salários achatados com menor capacidade de compra e consumo no mercado interno.

Isso tudo sem mencionar os riscos reais às cargas hoje operadas no Porto de São Sebastião que poderão ser afastadas por conta do aumento indiscriminado das tarifas portuárias, tal qual ocorreu no Porto de Vitória com aumentos na ordem 900%.

Os riscos são muito altos para uma inércia da sociedade, razão pela qual a Associação Comercial de São Sebastião – ACESS abriu um site com um abaixo assinado para coleta de assinaturas de toda a região e de todos que serão afetados direta ou indiretamente.

Por fim, é sempre importante lembrarmos que o setor portuário é área limítrofe do nosso território nacional, é área fronteiriça entre o Brasil e o resto do mundo, onde se impõe o princípio da Soberania Nacional, Soberania que não nos limita, mas nos amplia, nos amplia em condições infinitas do comércio internacional, é uma janela de oportunidades para todos que a utilizam e como tal deve ser preservada como um bem público voltado ao seu povo, para geração de empregos e riquezas, jamais o inverso!!!

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Porto de São Sebastião, uma retrospectiva com perspectivas https://alcatrazes.com/porto-de-sao-sebastiaouma-retrospectiva-com-perspectivas/ https://alcatrazes.com/porto-de-sao-sebastiaouma-retrospectiva-com-perspectivas/#respond Sun, 06 Apr 2025 13:28:50 +0000 https://alcatrazes.com/?p=240

Conforme eram as escritas dos antigos textos europeus, “no dia 20 de janeiro do ano de Jesus Cristo de 1502”, passava por nosso canal uma pequena flotilha de navios portugueses, comandada pelo Capitão Gonçalo Coelho, trazendo a bordo um importante cartógrafo e navegador chamado Américo Vespúcio, que ao jogarem suas âncoras batizaram o acidente geográfico a sua frente de Ilha de São Sebastião, por ser esse o Santo do dia.
A missão dessa esquadra era de pesquisar a geografia da costa brasileira recém descoberta e assim iniciar as ações de posse do novo território da Coroa Portuguesa.
Com essa ação de levantamento cartográfico, a Coroa teria informações precisas para se estabelecer e povoar, além de obter informações estratégicas para sua frota navegar e ancorar com segurança.
Eram informações cruciais para a Coroa e foi nesse dia, com esse primeiro mapa da nossa Costa Brasileira que nasce o nome “Porto de São Sebastião”, assim batizado pelo então navegador, como informação militar e estratégica para que outros navegadores da coroa portuguesa soubessem que aqui haveria abrigo e boas condições para seus navios e tripulações.
Esse navegador, cartógrafo e aventureiro do século XVI que por aqui passou, futuramente, emprestaria seu nome ao novo continente, que hoje chamamos de América.


Mas é em 1935 que nasce o Porto de São Sebastião na configuração em que se encontra, quando as primeiras obras iniciam o caminho para uma nova saída às exportações do nosso país, naqueles tempos com foco na produção cafeeira e de arroz do nosso Vale do Paraíba.
Juntamente com o Porto, alguns anos antes, em 1932, iniciam-se as obras da estrada de acesso, a Tamoios.
Obras que nascem das mentes brilhantes de dois grandes homens de alma caiçara e de elevado espírito cívico, a construção do Porto por meio de Dr. Manoel Hipólito do Rego, nosso primeiro deputado Estadual e o único Deputado Federal eleito por nosso povo e a Estrada pelo brilhante e valente Coronel da Força Pública do Estado de São Paulo, Edgar Armond.
Dizem que a história desses dois homens se une em uma viagem de barco de Santos para São Sebastião, quando tiveram a oportunidade de debater as oportunidades da nossa região e da nossa cidade de São Sebastião.
Foi quando então entenderam sobre a importância de se aproveitar as condições geográficas, bem como da necessidade de levarem algum desenvolvimento para o povo do Litoral Norte Paulista, região que ambos amavam, nascendo nessa viagem a ideia da construção do Porto de São Sebastião e da Estrada Tamoios.
A peculiaridade da Estrada é que a sua construção se inicia com alguns pouco soldados da Força Pública do Estado de São Paulo, sob o comando do Coronel Armond nos idos de 1.932, interrompida em 09 de julho daquele ano, por conta da Revolução Constitucionalista, só retornando a obra após o término da Guerra de São Paulo contra as forças Federais.
Assim, nasceu o Porto de São Sebastião e a Estrada Tamoios, cujo nome dela se dá como uma justa homenagem à Confederação das Tribos Tupinambás, que se unem em uma luta de resistência por seu território contra as forças invasoras dos Portugueses associados aos povos Tupiniquins, esses, inimigos naturais daqueles.
Contudo, apesar do sucesso da obra e de todo empreendimento para a sua época e do impacto positivo que causou na cidade e a toda região, revelando as belezas naturais do Litoral Norte, o que iniciou um ciclo turístico, além de portuário, mas que passados 88 anos do início das obras portuárias, verdade é que o Porto de São Sebastião, está como outrora, em seu formato inicial, com apenas um berço curto e com calado raso, suficiente para sua época, mas aquém para os modernos e grandes navios de hoje.
Por outro lado, foi por conta da existência desse Porto que nos anos 60 a Petrobras se instalou por aqui, trazendo uma nova era de desenvolvimento para a cidade e região, abrindo espaço para mais trabalho, renda e receita.
A instalação da Petrobras aqui em nosso Canal de São Sebastião ou Canal de Toque-Toque, como registram as cartas náuticas, se dá pela necessidade de termos condições de recebermos navios maiores e com maior calado, condições inexistentes em outros locais da costa brasileira.
Sua instalação advém da época em que os egípcios fecharam o Canal de Suez, obrigando os armadores de todo o mundo a darem uma volta na África, para buscarem petróleo no Oriente Médio e outras mercadorias no extremo Oriente.
Essa situação obrigou a indústria naval a construir navios maiores para que pudessem reduzir os fretes marítimos e otimizar suas viagens mais longas.
Foi quando a Petrobras precisava de algum lugar onde esses grandes petroleiros pudessem atracar e desembarcar suas mercadorias, sendo o Canal de São Sebastião o melhor local na costa brasileira para esse novo terminal.
O Canal de São Sebastião tem características únicas, apresentando uma poligonal de Porto organizado diferenciada de qualquer outro, tendo 30 km de extensão, com 500 metros de largura, com uma profundidade média de 25 metros, com duas entradas marítimas, ou seja, não estuarinas, com zero por cento de sedimentação, tendo ao norte uma entrada natural com 18 metros de profundidade e ao sul com 25 metros, numa variação de tábua de maré de apenas 1 metro, condições ímpares perante os Portos brasileiros.
Porém, esse potencial de navegabilidade e segurança para a entrada e saída de grandes navios somente a Petrobras faz uso, posto que nas concepções portuárias do início do Século XX, quando o Porto de São Sebastião foi construído, o aproveitamento de tais condições naturais não foram feitas, nos mantendo à margem das principais rotas comerciais marítimas.
Assim, o Porto de São Sebastião chega ao Século XXI da mesma forma como fora concebido no início do Século XX, ainda distante do seu potencial de uso para o bem do Brasil.
No entanto, atualmente o Porto pulsa com força máxima, batendo recordes anuais de movimentação de cargas e receitas, mas com suas limitações de infraestruturas físicas está fadado a estagnação, caso algo não seja feito.
Contudo, na última década, o governo Paulista investiu severamente na intenção de dar melhores condições para o desenvolvimento do Porto de São Sebastião, criou a Companhia Docas, dispôs de bons profissionais do mercado portuário e logístico do país, que implementaram o PDZ do Porto, criaram uma modelagem de ampliação do setor portuário, ao passo que o governo iniciava uma grande obra de duplicação da Tamoios, dando vazão ao que seria o novo Porto ampliado.
Infelizmente, os planos de ampliação do Porto foram frustrados por uma ação do Ministério Público Federal e Estadual, travando seu licenciamento prévio, porém a Estrada teve continuidade e hoje, após R$ 7.500.000.000,00 (Sete bilhões e quinhentos milhões de reais) investidos até aqui, já alcança as portas do Porto de São Sebastião, mas sem que o Porto pudesse ter um metro de avanço em sua área de berço.
Essa é uma situação que não pode perdurar, sob pena de desperdício dos investimentos públicos e das condições naturais que o Porto oferece à economia do país e ao desenvolvimento do setor portuário brasileiro.
Razão pela qual a comunidade portuária, iniciou uma mobilização, organizando-se no sentido de levar aos poderes constituídos uma possível alternativa de engenharia para a ampliação do Porto, respeitando as características ambientais da região, sua comunidade caiçara da planície marítima do Araçá, com condições de ser aceita pela sociedade e sem obstáculos jurídicos para a sua implementação.
Isso levou a comunidade Portuária de São Sebastião a se reunir com o Ministro dos Portos e Aeroportos, Márcio França, bem como com seu Secretário Nacional dos Portos, Fabrizio Pierdomenico. Nessa reunião foi entregue uma Carta, na qual se descreve as razões de agir para a ampliação do Porto Paulista, anexando à Carta 8 documentos produzidos nos últimos
dez anos, que perfazem um arcabouço de inteligência estratégica sobre como colocar o Porto de São Sebastião nas condições de atender em alto nível as necessidades econômicas e logísticas do Brasil.
Ao que se sabe essa reunião com nosso Ministro surtiu efeitos positivos, membros da equipe técnica da Secretaria dos Portos, acompanhados dos técnicos do BNDES se reuniram com a equipe da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, onde pontos sobre o desenvolvimento do Porto foram abordados, iniciando uma construção de ideias de como e quando fazer a ampliação do Porto de São Sebastião.
Não obstante essa bela ação tomada pelo setor portuário de São Sebastião, as ações não podem parar por aí e algo mais deve ser feito, sob pena de perdermos o “timing” da história e mais uma vez ficarmos à deriva do nosso próprio destino.
Assim, a comunidade portuária, envolvendo o setor sindical, o setor empresarial de todas as áreas econômicas do meio portuário, autoridades intervenientes do setor, autoridades locais e regionais devem se unir e não esperar que outros decidam pelo nosso destino, é a hora de fazer acontecer!!!
É hora de unir a Região do Vale do Paraíba, empresários do setor de produção, logística, prefeituras e representantes da Região na Alesp e Congresso Nacional e com essa força única desenvolver e construir as pontes do diálogo, unir os elos das ideias para o desenvolvimento do Estado de São Paulo e do Brasil.
A união de forças locais nos levará a condição de mais berços, atendendo à demanda exigida pelo nosso Porto, que hoje já vê a fila de navios crescerem ao largo, aguardando sua hora de atracação, sendo que os espaços terrestres existentes são disputados à unha entre os “players” locais, ou seja, não há mais tempo a esperar, quem sabe faz a hora, não espera acontecer!

São Sebastião, 06 de agosto de 2.023

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