Niuara Leal – Alcatrazes https://alcatrazes.com cultura e política Wed, 19 Nov 2025 15:26:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.1 https://alcatrazes.com/wp-content/uploads/2025/03/logo-Alcatrazes-branco-2-150x150.png Niuara Leal – Alcatrazes https://alcatrazes.com 32 32 28 de outubro, Rio de Janeiro https://alcatrazes.com/28-de-abril-rio-de-janeiro/ Thu, 30 Oct 2025 21:02:56 +0000 https://alcatrazes.com/?p=545

Eu acabei de chegar do Rio de Janeiro! Sim, no dia 28 de outubro, o dia mais letal da história da Polícia do RJ, eu estava dentro de uma comunidade no Morro da Babilônia trabalhando com Turismo de Base Comunitária e isso me fez repensar muito de como enxergamos tais conflitos e sua soluções “simples”. Este tem sido um dos trabalhos em que mais tenho crescido e aprendido.

Quando vivemos na nossa ignorância, cercados de informações que nos são recebidas somente através da mídia o nosso olhar para as comunidades é outro. Muito longe do que eu imaginava as comunidades não protegem o tráfico, não atacam policiais, elas são obrigadas a conviver, mas se escolha tivessem com toda certeza a presença mais constante do Estado organizado e honesto seria mais que bem vinda.
A linda comunidade da Babilônia e Chapéu Mangueira com quem tenho tido a honra de trabalhar falam com orgulho que foram pacificados, recebem muito bem a presença das bases e da UPP e por eles são tratados com respeito. Existe sim os bandidos, violentos, chefes, e assim como existem jovens que por falta de oportunidade ou por ilusão em não conhecer outra realidade são seduzidos a tal poder.
Mas a história que Turismo e o Reflorestamento Comunitário está trazendo há mais de 25 anos na COOPBabilônia é o exemplo claro de que boas políticas, um incentivo do privado, um olhar humano e novas oportunidades são capazes de mudar um futuro. A Coop Babilônia começou com um TAC, uma obrigação de fazer uma compensação ambiental e remoção de famílias de área de risco, e sabe qual foi a diferença? A comunidade foi contratada para fazer esse trabalho, e o que era para ser algo que poderia trazer revolta trouxe oportunidades e orgulho de fazer parte. Já foram mais de 100 vidas desde o começo de lá que receberam novas oportunidades e que hoje parte delas estão formados guias e condutores de turismo. Fazem guiamento no quintal de casa, mostrando a história e o trabalho com honestidade e orgulho de ser “cria de favela” contando histórias como a de R. ” Eu tinha tomado um tiro, era menor, tava escondido e foi quando vi um pessoal guiando e pensei: Não quero mais ser bandido, quero ser guia” e hoje ele trabalha no Brasil todo com Turismo.
Onde eu quero chegar com esse relato? Que é necessário sim combater o crime, mas que junto com ele venham as novas oportunidades, o investimento em dignidade e o olhar para quem ali vive e cria sua família honestamente. Turismo de Base Comunitária MUDA VIDAS! @agendapublicabrasil

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Cortar o Turismo é Cortar o Futuro da Cidade! https://alcatrazes.com/cortar-o-turismo-e-cortar-o-futuro-da-cidade/ https://alcatrazes.com/cortar-o-turismo-e-cortar-o-futuro-da-cidade/#respond Fri, 22 Aug 2025 16:01:55 +0000 https://alcatrazes.com/?p=440

Nos momentos em que a redução de custos se torna imperativa, observa-se que a pasta de Turismo é uma das primeiras a sofrer cortes orçamentários. Isso acontece mesmo diante de uma evidência amplamente consolidada: o turismo promove emprego e renda. No entanto, na prática, ainda é tímido o investimento efetivo nesse setor — especialmente do ponto de vista estratégico e financeiro.

Dados do CAGED mostram que, nos últimos 12 meses, mais de 207 mil empregos formais foram criados nas atividades turísticas no Brasil, com destaque para os segmentos de alojamento, alimentação, arte, cultura e eventos. Só, nos últimos dois anos, foram mais de 405 mil postos formais criados. Com números tão expressivos, não há como se falar que a atividade é um gasto supérfluo.
Dentro do tripé da sustentabilidade (PPP) — people, planet, profit – pessoas, planeta e lucro — o último, quando se fala em investimento público em Turismo muitas vezes é negligenciado. Sem viabilidade financeira, não há turismo de qualidade possível. É nesse contexto que ganham importância os planos diretores de turismo municipais: instrumentos que, quando alinhados a metas claras de geração de renda, transformam intenções em ações estruturadas.
Infelizmente, apesar de ser obrigatório para que um município seja considerado turístico ou de interesse turístico, muitos gestores não seguem as diretrizes dos planos — preferindo destinar recursos para eventos emergenciais e misturados à agenda social ou comunitária, ao invés de focar em renda local e fortalecimento do comércio e dos empreendedores.
Obras como calçamento, saneamento e iluminação são necessidades básicas. Contudo, a entrega urbanística e arquitetônica ganha outra dimensão quando pensada com propósito turístico. A iluminação urbana, por exemplo, deve ter caráter cênico e decorativo, valorizando o entorno e atraindo visitantes para o comércio local. Calçamentos e ruas pensadas na padronização, identidade histórica, acessibilidade e mais espaço a pedestres facilitando ao fluxo de turistas de um local a outro.

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Turismo além do óbvio: o poder transformador do pertencimento https://alcatrazes.com/turismo-alem-do-obvio-o-poder-transformador-do-pertencimento/ https://alcatrazes.com/turismo-alem-do-obvio-o-poder-transformador-do-pertencimento/#respond Thu, 08 May 2025 18:31:15 +0000 https://alcatrazes.com/?p=270

Quando falamos em turismo, muitos ainda pensam apenas em belas paisagens, hotéis confortáveis e eventos grandiosos. Mas quem vive o turismo de verdade — como eu, há mais de 15 anos — sabe que ele é muito mais do que isso. O turismo é uma ferramenta potente de transformação social, econômica e cultural, e precisa ser enxergado como tal.

O Turismo de Base Comunitária (TBC) é uma das formas mais belas e efetivas de transformar realidades locais. Ele valoriza o conhecimento tradicional, fortalece identidades e promove uma distribuição mais justa da renda. Mas, para isso acontecer de forma duradoura, é essencial envolver a comunidade local desde o início. Não se faz turismo sem as pessoas. Elas precisam estar no centro — sendo ouvidas, capacitadas e reconhecidas.

Ao longo da minha trajetória, vi de perto como o turismo impacta não só hotéis e restaurantes, mas toda uma cadeia econômica. A construção civil, por exemplo — que é um dos maiores empregadores do país — se beneficia diretamente do crescimento do turismo, seja com reformas de pousadas, ampliação de infraestrutura urbana ou obras em atrativos turísticos. Quando um destino se desenvolve, todo o entorno cresce junto.

Mas isso não acontece por acaso. É preciso que o poder público faça sua parte. Criar políticas de incentivo ao empreendedorismo, reduzir a burocracia e os impostos para novos negócios, facilitar o acesso a crédito e promover capacitações técnicas são caminhos fundamentais para que pequenos e médios empreendedores possam florescer. E, claro, ouvir o trade turístico local — os empresários, os guias, os artesãos — é imprescindível para tomar decisões acertadas.

E quando se fala em internacionalização de um destino, então é preciso sair da caixinha. Não se trata de copiar fórmulas prontas achando que elas vão funcionar em qualquer lugar. Cada território tem sua alma — e é ela que deve brilhar. O turista de hoje quer mais do que sol, mar ou montanha. Ele quer histórias, cultura, conexões reais. Ele quer ouvir sobre a D. Maria, filha de pescadores, que ainda hoje prepara seu peixe seco no varal da vila. Ou conhecer o Seu João, que há anos plantava café, mas descobriu que as uvas se adaptaram melhor ao seu solo e hoje produz seu próprio vinho artesanal brasileiro. Esse é o tipo de experiência que emociona, que marca, que fideliza.

Fazer eventos é importante, sim. Eles movimentam a economia local, atraem visitantes, geram mídia espontânea e criam oportunidades de divulgação do destino. Mas é preciso compreender que eventos são uma ferramenta, não o objetivo final. Muitos destinos caem na armadilha de apostar todas as fichas em festivais sazonais, sem criar uma estratégia de turismo que funcione durante o ano todo. O turismo precisa ser pensado como política pública permanente, não como ação pontual ou calendário festivo.

Eventos devem ser planejados como parte de um ecossistema turístico mais robusto, onde cada ação impulsiona outras: a qualificação profissional, o fortalecimento do comércio local, a valorização da cultura regional, o desenvolvimento de novos produtos turísticos. Um bom evento pode ser o ponto de partida para que mais pessoas conheçam a cidade — mas é o conteúdo, a história, a vivência autêntica que as fará voltar.

Mais do que grandes shows e estruturas temporárias, o que realmente encanta o visitante é participar de um Festa tradicional, provar uma receita local feita com afeto, ouvir um morador contar como era o bairro antes da estrada chegar. Isso é o turismo além do óbvio.

O Turismo pode ser agente para melhorar inclusive a segurança pública. Você prefere passar numa praça ainda que bem cuidada mas absolutamente vazia a noite ou prefere que essa praça tenha espaço para que comerciantes tenham seus cafés funcionando, um restaurante que ocupe com suas mesas e serviço de qualidade este espaço? Temos mania de achar que praça é de responsabilidade exclusiva da Prefeitura mas e se dividirmos as reponsabilidades, criando regras claras de utilização, padronização de móveis, contrapartida de limpeza e segurança será que não teríamos espaços menos hostis e mais amigáveis a se frequentar? Os eventos, os espaços públicos devem ser usados para fomentar pertencimento, celebrar raízes e criar vínculos duradouros — tanto com os moradores quanto com os visitantes.

Por isso, é fundamental que exista alinhamento entre o comércio local, o visitante, o morador e o Poder Público, somente assim um destino realmente se desenvolve.

O turismo precisa ser uma estratégia de longo prazo para desenvolver territórios de forma sustentável, gerando oportunidades e ampliando horizontes. Ele é um instrumento de cidadania, de pertencimento, de resgate cultural. É muito mais sobre pessoas e vivências do que apenas sobre um destino e suas paisagens.

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