meio ambiente – Alcatrazes https://alcatrazes.com cultura e política Wed, 29 Apr 2026 21:43:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://alcatrazes.com/wp-content/uploads/2025/03/logo-Alcatrazes-branco-2-150x150.png meio ambiente – Alcatrazes https://alcatrazes.com 32 32 Tem alguma coisa de podre no reino da Dinamarca https://alcatrazes.com/tem-alguma-coisa-de-podre-no-reino-da-dinamarca/ Thu, 23 Oct 2025 20:57:10 +0000 https://alcatrazes.com/?p=539

A expressão acima, retirada da célebre peça Hamlet, de William Shakespeare, é dita pelo personagem Marcellus ao perceber que algo de profundamente errado ocorria nos bastidores do poder da Dinamarca. No enredo, o fantasma do rei assassinado pelo próprio irmão simboliza a traição, a corrupção moral e a sede desmedida por poder.

Com o passar dos séculos, essa frase ganhou força e passou a representar situações em que há injustiça, deslealdade e interesses ocultos ameaçando o bem comum — especialmente na política e na vida pública.

Hoje, essa metáfora se aplica de forma inquietante à realidade de nossa cidade. Vivemos um episódio que nos obriga a refletir sobre o verdadeiro sentido da ética, da responsabilidade e do compromisso com a terra que nos acolhe.

De um lado, temos um prefeito comprometido com o futuro de São Sebastião, que compreende a importância estratégica do setor portuário para a geração de empregos, o desenvolvimento econômico e a manutenção da nossa identidade caiçara. Em gesto firme e corajoso, conseguiu junto ao Ministro dos Portos e Aeroportos assegurar que o Porto de São Sebastião mantenha seu caráter público — garantindo a livre concorrência, o equilíbrio econômico e a justa exploração das atividades portuárias em benefício da população.

Do outro lado, surge uma autoridade portuária que, embora dotada de conhecimento técnico, demonstra ausência de vínculo afetivo, social e moral com o município que representa. Um agente alheio à realidade local, comprometido com interesses externos e financeiros que não refletem as necessidades da comunidade sebastianense.

Essa postura ameaça impor à nossa cidade um modelo de arrendamento portuário que, sob o pretexto de eficiência, transfere o controle do nosso porto para grupos privados e estrangeiros, afastando o poder público local e limitando a liberdade econômica que hoje sustenta centenas de famílias. Trata-se de um formato que comprometeria a autonomia da cidade por décadas, ferindo o princípio da livre concorrência e a soberania sobre nosso principal patrimônio econômico.

É nesse contexto que ecoa novamente a frase de Shakespeare: “Há algo de podre no reino da Dinamarca.” A “Dinamarca”, agora, é São Sebastião — e o que há de podre são as forças externas que buscam subjugar nosso povo e transformar um bem público em instrumento de lucro privado.

Por isso, manifestamos nosso total apoio ao Prefeito Reinaldo Alves Moreira Junior, filho da terra, filho de portuário, homem que compreende, pela herança e pela vivência, o valor do trabalho e a importância de preservar o legado portuário de São Sebastião.

Defendemos o porto público, a livre concorrência, a transparência, o desenvolvimento sustentável e o direito do nosso povo de decidir o próprio destino.

Somos todos São Sebastião.
Somos todos Porto de São Sebastião.
Pela liberdade econômica, pela dignidade de nossa gente e pelo futuro das próximas gerações.

Parabéns, Prefeito Reinaldo Alves Moreira Junior — filho de portuário, caiçara e defensor da nossa cidade.

Luiz Felipe da Costa Santana

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O Sapinho do Morro do Esquimó https://alcatrazes.com/o-sapinho-do-morro-do-esquimo/ https://alcatrazes.com/o-sapinho-do-morro-do-esquimo/#respond Thu, 14 Aug 2025 16:33:19 +0000 https://alcatrazes.com/?p=381

São Sebastião, mas especialmente Juquehy, sempre foi cenário dos melhores momentos de minha vida. Namorei, casei, minha filha aprendeu a andar de bicicleta… minhas melhores memórias afetivas estão eternamente emolduradas por esta natureza majestosa.

Na madrugada de 19 de Fevereiro, senti a força da natureza desabar em uma chuva assustadora, infindável, que doía dentro da gente de tão intensa.

Na manhã seguinte, meu coração estava agitado. Eu não poderia abandonar Juquehy. Aqui sempre encontrei abrigo, acolhimento, alegria, amor, felicidade, sempre foi meu paraíso, e eu tinha que salvá-lo, com as minhas mãos.

Não sou competente como um profissional da Defesa Civil, um Bombeiro, um Socorrista… o que fazer?  Pensei, gosto de pessoas, fiz gestão de inúmeras crises no mundo corporativo, consigo ajudar. E aí, comecei trabalhar como voluntária.

Mas, como não poderia ser diferente, foi Juquehy que me acolheu e me salvou.

Caminhar ao lado das pessoas, escutar suas histórias de vida, conhecer casas, igrejas, ruas, morros, caminhar ao lado do majestoso Rio Juquehy, aprender com a comunidade de Juquehy sobre amor, família, honra, trabalho, dignidade, sofrimento, humilhação, inteligência, perspicácia. Aprendi muito mais do que ofereci.

Aprendi que ser desprovido de vaidade, e ter foco em soluções e pessoas, será um grande viabilizador de pontes para ampliar alcances e perspectivas da sociedade como um todo.

Nesta tragédia, os temas de preservação/educação ambiental têm sido abordados como urgentes, e muitos estão levantando a voz e falando sobre coisas que precisamos coibir, mudar, transformar e aplicar em processos, mas não em pessoas.

Pessoas precisam que suas necessidades básicas sejam garantidas – falo aqui do básico mesmo: comida e moradia – necessidades que precisam ser discutidas e implementadas dentro do contexto de cada localidade. Sem isso, não existe programa ambiental que funcione. Sem isso, não existe programa educacional que funcione. Sem isso, não existe programa de saúde que funcione. Sem isso, não se constrói o futuro de uma nação.

E pare de falar que o mundo não funciona, porque o político não fez. O voluntariado me ensinou que cada um fazendo um pedaço, a gente faz muito. Ensinou também que a força da coletividade pressiona a tomada de decisões em todas as esferas. Coloque a mão na massa e construa um pedacinho daquilo que você acredita, hoje.

Se a sua vida inteira desabasse o que você salvaria? Minha nova amiga, frente a este cenário desolador da foto, pede ao colega: “precisa pegar aquele sapinho, foi meu avô que deu para minha filha e é a única lembrança que tenho dele”.

Qual o sapinho que você vai salvar hoje?

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Audiência Pública – PMGIRS https://alcatrazes.com/audiencia-publica-pmgirs/ https://alcatrazes.com/audiencia-publica-pmgirs/#respond Fri, 04 Jul 2025 19:43:28 +0000 https://alcatrazes.com/?p=319

Gestão de Resíduos Sólidos…. você sabe o que é? E por que isso é importante para você? A correta gestão de resíduos (coleta de lixo, reciclagem, limpeza) afeta a sua vida diariamente. Tenho certeza que todos os dias você questiona quando encontra uma garrafa plástica jogada na praia, ou quando percebe que o caminhão do lixo não passou, ou percebe a quantidade de resíduos que você gera diariamente.

Você sabia que em 2024 de todos os resíduos que foram coletados em São Sebastião, 96% foram para aterro sanitário e apenas 4% para reciclagem? Temos que mudar esta realidade, e assegurar uma melhor destinação dos resíduos, de forma alinhada com conceitos de sustentabilidade e sem agressão ao meio ambiente. Isso passa pelo poder público, mas é também nossa missão.

Existe no Brasil uma Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305), que determina princípios e diretrizes para gestão integrada e gerenciamento dos resíduos sólidos. Esta Lei determina que toda cidade deve ter o seu “Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos”. Por isso, a Prefeitura de São Sebastião iniciou no final de 2023 a elaboração de um estudo para montar este Plano. Foi contratada uma empresa especializada, e a sociedade civil participou através de um grupo de trabalho formado por representantes de 27 associações de bairro e coletivos.

Agora chegou o momento que você pode participar. No mês de Maio aconteceram consultas públicas, e no próximo dia 07/Julho às 18h30 será a Audiência Pública para apresentar e aprovar este plano com a população.

Você também pode consultar o Plano e apresentar sugestões em formulário online acessando este site da Prefeitura:
https://www.saosebastiao.sp.gov.br/consultas_publicas_pmgirs.asp

Anote suas contribuições e compareça na Audiência Pública do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS) de São Sebastião, dia 07/07/2025 às 18:30h no Teatro Municipal na Avenida Doutor Altino Arantes, nº 02, Centro

Ter uma regra municipal clara e efetiva será muito bom para todos nós: para preservar a saúde, a qualidade de vida, e o meio ambiente. Vamos participar e construir juntos este plano!

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Onde passa o monopólio, passa a boiada https://alcatrazes.com/onde-passa-o-monopolio-passa-a-boiada/ https://alcatrazes.com/onde-passa-o-monopolio-passa-a-boiada/#respond Thu, 05 Jun 2025 19:25:28 +0000 https://alcatrazes.com/?p=285

Não é de hoje que a relação Porto Cidade é delicada.  Portos brasileiros vivem em evidente conflito com as questões ambientais, graças às instalações localizadas em áreas estuarinas ou abrigadas, onde a existência de ecossistemas delicados e legalmente protegidos são uma constante. Além disso, não raro, comunidades tradicionais convivem num cenário de derramamentos, dragagens mal executadas, lançamento de resíduos sólidos, surgimento de espécies invasoras via água de lastro, desaparecimento de estoques pesqueiros por poluição, remoção de habitações ribeirinhas para crescimento de terminais, entre outros embates.

Neste cenário, o rolo compressor desenvolvimentista atropelava apelos de quem ousava se colocar à frente do trator. O Poder Público detinha o comando e controlava o licenciamento, devidamente azeitado pela iniciativa privada. Audiências públicas, por mais participativas e combativas que fossem, só serviam para cumprir uma etapa burocrática do procedimento, que sempre terminava na licença para destruir.

A ampliação do Porto de São Sebastião passou por uma experiência dessa natureza, graças a um projeto de ampliação que visava a eliminação absoluta da Planície Costeira do Araçá, o último remanescente ecossistêmico fornecedor de serviços ambientais marinhos da região. A teimosia de alguns gestores da Companhia Docas de instalar um monstrengo sem pé nem cabeça, naufragou na Justiça junto de um licenciamento mambembe, após uma disputa que foi parar nos Tribunais Superiores. Dinheiro que iria para poucos, acabou sendo jogado pela janela.

Anos depois, percebendo que o diálogo é a única alternativa para um crescimento digno, as partes voltaram a mesa para discutir uma ameaça comum: a desestatização do Porto, projeto sob a batuta do ex-presidente da República e do atual governador, na época (como agora) um animado privatizador de estatais que ocupava um dos ministérios. Como todos os portos do Brasil tem competência de exploração pela União (Constituição Federal de 1988, art. 21, XII, “f”), privatizar não era possível. Restou tentar desestatizar, ou seja, retirar a Autoridade Portuária do ente público e entregar o porto a um dono boçal e soberano.

Isso reduziria sobremaneira um dos grandes trunfos do porto público, que é sua sinergia com a economia local e regional, algo que ocorre em todos os locais do mundo onde existe porto público, e desaparece onde a autoridade fica nas mãos do único proprietário, livre para vender só o que quiser, emporcalhar o porto e trabalhar com seus próprios escravos, longe dos olhos de quem poderia puni-lo. Outro exemplo é a igualdade no tratamento entre os diversos operadores portuários privados, que só ocorre quando mediada pela Autoridade Pública, que tem funções natas de estado, fiscalizatórias e regulatórias, pré-requisitos fundamentais para melhor governança do empreendimento.

Inconformada, aquela mesa de diálogo produziu documentos, insurgiu-se ante a editais, angariou adeptos adormecidos, opôs resistência dos poucos valorosos contra os muitos ardilosos. Luta desigual, mas ao final vencedora.

Felizmente aquele governo federal e seus ideais sucumbiram junto com seus pilares de areia, e a comunidade portuária local respirou aliviada. Mais do que isso, sedimentou-se aos poucos uma maturidade inédita no trato entre os múltiplos setores da relação porto cidade, o que tornou possível a criação do COMPORTO, um comitê suprapartidário, plural, que aglutinou de autoridades militares e portuárias, a trabalhadores, sindicatos, entidades e até a academia.

Na proa, um destino: um porto que pudesse se desenvolver de forma sustentável, inteligente para mesclar o público ao privado, em harmonia com o trabalhador portuário avulso, operadores, agências e todos os demais atores sob a batuta da Autoridade Portuária.

Para crescer de forma decente, o Governo Federal propôs o arrendamento do porto. As conversas evoluíram em conjunto, o diálogo ajustou pontos, aparou arestas, e um modelo de edital parecia ser de consenso, harmonizando um cais híbrido com berço público garantido e um píer construído pelo arrendatário. A bonança parecia ter chegado para ficar até que, de repente, um vento estranho entrou pelas veredas: veio a notícia de que o Governo Federal mudou de ideia e um único arrendatário monopolizaria todo o cais.

O tal vento arrepiou as almas da comunidade portuária, o medo invadiu lares de trabalhadores, a insegurança tomou conta dos operadores, e um déjà-vu de maldades voltou à beira do cais. Era preciso, uma vez mais, reagir.

Neste cenário, que imprime um status de “monopólio privado” para o porto de São Sebastião em detrimento do que havia sido um consenso, foi requerida e concedida uma audiência na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados, para deixar clara a posição do COMPORTO e dos portuários.

Ali não se discutiu modelo de autorização, tipo de carga (se viva ou não), formato de ampliação, ou menos ainda, o retrocesso de um licenciamento falido que foi sepultado há anos junto de seu projeto e gestores. Apenas havia a oposição à uma nova proposta de arrendamento que concede um lugar múltiplo para um dono singular. Esse é o ponto atual em que estamos.

A discussão sobre o tipo de carga que o Porto pode trabalhar ou o tamanho do píer que se poderá construir, é assunto para outros debates sob a ótica do respeito às opiniões diversas. Por enquanto, importa lembrar que caso o “monopólio privado” seja levado aos leilões de arrendamento do Porto de São Sebastião, não haverá espaço para trabalho, renda, oportunidades ou, o tão aguardado diálogo.

Nada disso sobrevive a um arrendamento que desemprega ou torna reféns cidade e porto.

Por esta razão, o tempo é de resistência e união.

Desvirtuar esse debate para ressuscitar defuntos só atrapalha. Faz crer que nem todos estão cientes do tamanho da tribuzana, do que pode vir pela proa da embarcação. A história de idas e vindas, de guerreiros vencidos e vencedores, deve ensinar alguma coisa ao porto e à cidade.

Ou acordamos para enfrentar esse modelo ou ficaremos todos encalhados vendo a boiada passar.

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Arrendamento e expansão do Porto de São Sebastião https://alcatrazes.com/arrendamento-e-expansao-do-porto-de-sao-sebastiao/ https://alcatrazes.com/arrendamento-e-expansao-do-porto-de-sao-sebastiao/#respond Mon, 02 Jun 2025 20:41:24 +0000 https://alcatrazes.com/?p=279 O Porto de São Sebastião passa por um momento crítico da sua história, decisões tomadas a milhares de quilômetros definirão nosso destino como cidade e o quão benéfico ou não será seu arrendamento e expansão para nosso povo e para o desenvolvimento sustentável da nossa economia.

No dia último dia 13 março ocorreram diversas reuniões com o INFRA S/A e a comunidade portuária de São Sebastião, em uma nova rodada de informações sobre o status do processo, alterações de modelagem e coleta de posicionamento do setor local.

Nessas reuniões individualizadas com os operadores locais e com o Comitê de Desenvolvimento do Porto de São Sebastião – COMPORTO, foi informada a radical alteração inicial do projeto, no qual o arrendamento, anteriormente integrado ao porto público, com manutenção de áreas públicas, respeitando as características de competitividade e liberdade de mercado, passaria a ser regido sob a ótica e com o objetivo exclusivo de tornar a exploração do Porto de São Sebastião sob a égide de um MONOPÓLIO PRIVADO.

O MONOPÓLIO PRIVADO é a antítese do desenvolvimento econômico de qualquer setor, traz insegurança jurídica ao mercado que depende daquela atividade, torna os dependentes da atividade reféns do arbítrio econômico/financeiro de quem detém o referido MONÓPOLIO.

Esse modelo não satisfaz a sociedade com livre concorrência de mercado, não torna o setor competitivo, destrói empresas concorrentes, elimina mercados de trabalho e, no caso do setor portuário, coloca em risco todas as cadeias logísticas desenvolvidas ao longo de décadas em torno da Poligonal Comercial daquele Porto.

Essa modelagem de privatização do setor público, de um modo geral, já está sendo identificado como “FINANCEIRIZAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO URBANO”, que o setor portuário não tem escapado, onde se impõe a “lógica financeira” na formulação e execução de políticas públicas, tais como a atividade portuária.

Exemplos desse fenômeno não faltam no país, tais como o Porto de Vitória, no Espírito Santo, hoje “Desestatizado” e o de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, hoje sob concessão exclusiva de exploração da atividade portuária para um único player, cujas modalidades são distintas, mas com efeitos similares ao contexto portuário e com seus impactos negativos na hinterlândia comercial.

Em ambos os casos houve uma grande oscilação da movimentação de cargas, em especial  Angra, com um declínio acentuado, minguando a atividade portuária à exclusiva movimentação de cargas off-shore, com baixíssima utilização de mão de obra e redução na arrecadação fiscal, maximizando os ganhos do concessionário, ao passo que em Vitória após ajustes tarifários e dos contratos vigentes, as receitas obtiveram um salto de 39.56% para os investidores, sem que isso correspondesse ao aumento de movimentação de cargas, ao contrário, houve queda nessa movimentação.

A Prefeitura Municipal de São Sebastião e a sociedade civil organizada, bem como toda a comunidade portuária, posicionam-se CONTRA sobre o processo em andamento.

Assim, unimos forças e estamos lutando em todas as instâncias, buscando esclarecer todas as consequências que podem advir dessa abominável modelagem de gestão e exploração portuária e pra isso apresentamos números.

I – DOS IMPOSTOS ARRECADADOS:

A atividade Portuária de São Sebastião arrecadou para os cofres públicos do Município algo em torno de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais) em 2.024 e, ao longo dos últimos dois anos e meio, o valor de R$ 111.770.535,66 (cento e onze milhões, setecentos e setenta mil, quinhentos e trinta e cinco reais e sessenta e seis centavos).
*fonte: Secretaria da Fazenda Municipal de São Sebastião.

Movimentou ao longo do ano de 2.024, em valores CIFs das suas mercadorias, a quantia de US$ 922.234.000,00 (novecentos e vinte e dois milhões, duzentos e trinta e quatro mil dólares), equivalente a R$ 5.238.289.120,00 (cinco bilhões, duzentos e trinta e oito milhões, duzentos e oitenta e nove mil e cento e vinte reais), valor aduaneiro que serve de base para a arrecadação do principal imposto do Estado, o ICMS, cuja estimativa em arrecadação desse imposto pela atividade portuária de São Sebastião alcança a quantia de R$ 942.892.041,16 (novecentos e quarenta e dois milhões, oitocentos e noventa e dois mil, quarenta e um reais e dezesseis centavos). *fonte: Companhia Docas de São Sebastião.

O equivale dizer que só em impostos estadual (ICMS) e municipal (ISS) o Porto de São Sebastião arrecada cerca de R$ 1.000.000.000,00 (um bilhão de reais).

II – DOS OPERADORES PORTUÁRIOS:

O Porto contempla cinco operadores portuários que conjuntamente somam 451 colaboradores, cuja a média salarial desses está em R$ 5.200,00 (cinco mil e duzentos reais). *fonte: Recursos Humanos das Operadoras Portuárias.

Nos últimos 3 anos os investimentos feitos por esses importantes atores do mercado portuário sebastianense, entre equipamentos e áreas de armazenagem, alcançam até aqui a cifra aproximada de R$ 389.500.000,00 (trezentos e oitenta e nove milhões e quinhentos mil reais). *fonte: Departamento Financeiro das Operadoras Portuárias.

III – DOS SINDICATOS LABORAIS:

Em São Sebastião, 6 sindicatos atuam na Orla Portuária representando mais de 250 trabalhadores que participam das atividades de movimentação das cargas no Porto, desde as áreas administrativas da Companhia Docas até os porões dos navios.

IV – DAS EMPRESAS DE APOIO PORTUÁRIO E MARÍTIMO:

São 16 agências marítimas, 9 empresas de apoio marítimo e à navegação, 2 empresas de logística, 5 empresas de armazéns gerais, 3 empresas de manutenção naval, que somando a mão de obra empregada nessas atividades alcançam 722 (setecentos e vinte e dois) colaboradores.

Somadas as diversas atividades inerentes ao setor portuário há um quantitativo de 1.423 (mil quatrocentos e vinte e três) colaboradores empregados na atividade, gerando emprego e renda ao povo de São Sebastião.

V – DA CADEIA LOGÍSTICA DO PORTO DE SÃO SEBASTIÃO

O Porto de São Sebastião possui uma hinterlândia comercial que atende à demanda de uma vasta cadeia logística para as mais diversas atividades industriais e agrícolas do Vale do Paraíba, Oeste Paulista, Sul de Minas Gerais e Sul Fluminense.

Por esse Porto nos últimos dois anos transitaram mais de 2.500.000 tons (dois milhões e quinhentos mil) atendendo a demanda de mais de 250 empresas voltadas para a Indústria vidreira, que atende à indústria automobilística e da construção civil, além das empresas voltadas ao setor cosmético dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Ao Agronegócio atende ao setor sucroalcooleiro e à Agropecuária de médio e pequenos porte, compreendendo a produção pecuária dos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais e etc.

Enfim, o posicionamento da comunidade portuária e da prefeitura de São Sebastião é de ser contra um projeto de arrendamento e ampliação na modelagem embasada no MONOPÓLIO PRIVADO, que fará bem à poucos e será péssimo para tantos, este model aniquila da noite pro dia 5 operadores portuários, extermina 5 Recursos Humanos que têm abaixo deles aproximadamente 540 pessoas na sua folha de pagamento, põe em risco os trabalhadores portuários avulsos dos sindicatos do cais público, diminui não só as vagas de trabalho, como diminui a capacidade de ganhos dos trabalhadores que terão seus salários achatados com menor capacidade de compra e consumo no mercado interno.

Isso tudo sem mencionar os riscos reais às cargas hoje operadas no Porto de São Sebastião que poderão ser afastadas por conta do aumento indiscriminado das tarifas portuárias, tal qual ocorreu no Porto de Vitória com aumentos na ordem 900%.

Os riscos são muito altos para uma inércia da sociedade, razão pela qual a Associação Comercial de São Sebastião – ACESS abriu um site com um abaixo assinado para coleta de assinaturas de toda a região e de todos que serão afetados direta ou indiretamente.

Por fim, é sempre importante lembrarmos que o setor portuário é área limítrofe do nosso território nacional, é área fronteiriça entre o Brasil e o resto do mundo, onde se impõe o princípio da Soberania Nacional, Soberania que não nos limita, mas nos amplia, nos amplia em condições infinitas do comércio internacional, é uma janela de oportunidades para todos que a utilizam e como tal deve ser preservada como um bem público voltado ao seu povo, para geração de empregos e riquezas, jamais o inverso!!!

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Turismo além do óbvio: o poder transformador do pertencimento https://alcatrazes.com/turismo-alem-do-obvio-o-poder-transformador-do-pertencimento/ https://alcatrazes.com/turismo-alem-do-obvio-o-poder-transformador-do-pertencimento/#respond Thu, 08 May 2025 18:31:15 +0000 https://alcatrazes.com/?p=270

Quando falamos em turismo, muitos ainda pensam apenas em belas paisagens, hotéis confortáveis e eventos grandiosos. Mas quem vive o turismo de verdade — como eu, há mais de 15 anos — sabe que ele é muito mais do que isso. O turismo é uma ferramenta potente de transformação social, econômica e cultural, e precisa ser enxergado como tal.

O Turismo de Base Comunitária (TBC) é uma das formas mais belas e efetivas de transformar realidades locais. Ele valoriza o conhecimento tradicional, fortalece identidades e promove uma distribuição mais justa da renda. Mas, para isso acontecer de forma duradoura, é essencial envolver a comunidade local desde o início. Não se faz turismo sem as pessoas. Elas precisam estar no centro — sendo ouvidas, capacitadas e reconhecidas.

Ao longo da minha trajetória, vi de perto como o turismo impacta não só hotéis e restaurantes, mas toda uma cadeia econômica. A construção civil, por exemplo — que é um dos maiores empregadores do país — se beneficia diretamente do crescimento do turismo, seja com reformas de pousadas, ampliação de infraestrutura urbana ou obras em atrativos turísticos. Quando um destino se desenvolve, todo o entorno cresce junto.

Mas isso não acontece por acaso. É preciso que o poder público faça sua parte. Criar políticas de incentivo ao empreendedorismo, reduzir a burocracia e os impostos para novos negócios, facilitar o acesso a crédito e promover capacitações técnicas são caminhos fundamentais para que pequenos e médios empreendedores possam florescer. E, claro, ouvir o trade turístico local — os empresários, os guias, os artesãos — é imprescindível para tomar decisões acertadas.

E quando se fala em internacionalização de um destino, então é preciso sair da caixinha. Não se trata de copiar fórmulas prontas achando que elas vão funcionar em qualquer lugar. Cada território tem sua alma — e é ela que deve brilhar. O turista de hoje quer mais do que sol, mar ou montanha. Ele quer histórias, cultura, conexões reais. Ele quer ouvir sobre a D. Maria, filha de pescadores, que ainda hoje prepara seu peixe seco no varal da vila. Ou conhecer o Seu João, que há anos plantava café, mas descobriu que as uvas se adaptaram melhor ao seu solo e hoje produz seu próprio vinho artesanal brasileiro. Esse é o tipo de experiência que emociona, que marca, que fideliza.

Fazer eventos é importante, sim. Eles movimentam a economia local, atraem visitantes, geram mídia espontânea e criam oportunidades de divulgação do destino. Mas é preciso compreender que eventos são uma ferramenta, não o objetivo final. Muitos destinos caem na armadilha de apostar todas as fichas em festivais sazonais, sem criar uma estratégia de turismo que funcione durante o ano todo. O turismo precisa ser pensado como política pública permanente, não como ação pontual ou calendário festivo.

Eventos devem ser planejados como parte de um ecossistema turístico mais robusto, onde cada ação impulsiona outras: a qualificação profissional, o fortalecimento do comércio local, a valorização da cultura regional, o desenvolvimento de novos produtos turísticos. Um bom evento pode ser o ponto de partida para que mais pessoas conheçam a cidade — mas é o conteúdo, a história, a vivência autêntica que as fará voltar.

Mais do que grandes shows e estruturas temporárias, o que realmente encanta o visitante é participar de um Festa tradicional, provar uma receita local feita com afeto, ouvir um morador contar como era o bairro antes da estrada chegar. Isso é o turismo além do óbvio.

O Turismo pode ser agente para melhorar inclusive a segurança pública. Você prefere passar numa praça ainda que bem cuidada mas absolutamente vazia a noite ou prefere que essa praça tenha espaço para que comerciantes tenham seus cafés funcionando, um restaurante que ocupe com suas mesas e serviço de qualidade este espaço? Temos mania de achar que praça é de responsabilidade exclusiva da Prefeitura mas e se dividirmos as reponsabilidades, criando regras claras de utilização, padronização de móveis, contrapartida de limpeza e segurança será que não teríamos espaços menos hostis e mais amigáveis a se frequentar? Os eventos, os espaços públicos devem ser usados para fomentar pertencimento, celebrar raízes e criar vínculos duradouros — tanto com os moradores quanto com os visitantes.

Por isso, é fundamental que exista alinhamento entre o comércio local, o visitante, o morador e o Poder Público, somente assim um destino realmente se desenvolve.

O turismo precisa ser uma estratégia de longo prazo para desenvolver territórios de forma sustentável, gerando oportunidades e ampliando horizontes. Ele é um instrumento de cidadania, de pertencimento, de resgate cultural. É muito mais sobre pessoas e vivências do que apenas sobre um destino e suas paisagens.

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Alcatrazes https://alcatrazes.com/ola-mundo/ https://alcatrazes.com/ola-mundo/#respond Sat, 29 Mar 2025 16:11:43 +0000 https://alcatrazes.com/?p=1

A sociedade pulsa e vibra.

Muitas das vezes através de antagonismos e choques, são poucos os consensos para os nossos infinitos problemas.

Nosso desafio era criar um espaço para o debate, dar voz a diferentes pontos de vista. Em tempos de internet e redes sociais as notícias chegam initerruptamente, é preciso respirar e destrinchar os acontecimentos diários, digerir as informações, entender suas implicações e impactos.

Levamos anos para construir Alcatrazes, um site que pretende ser uma ilha em meio a tantas brigas. O espaço é livre para o debate, mas entendemos que a liberdade de expressão é um bem precioso que não permite discurso de ódio, agressão ou anonimato.

Seja bem-vindo!

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