Sem categoria – Alcatrazes https://alcatrazes.com cultura e política Fri, 05 Jun 2026 17:11:53 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://alcatrazes.com/wp-content/uploads/2025/03/logo-Alcatrazes-branco-2-150x150.png Sem categoria – Alcatrazes https://alcatrazes.com 32 32 Idosos – os desafios para os próximos anos https://alcatrazes.com/idosos-desafios/ Thu, 04 Jun 2026 18:07:19 +0000 https://alcatrazes.com/?p=768

De acordo com o IEPS (Instituto de Estudos para políticas de Saúde) o envelhecimento populacional ocorre de forma acelerada, se continuarmos neste ritmo, a população idosa deverá superar a população infantil em 2031.

Há duas questões, a primeira é o encolhimento da família brasileira, entre a década de 60 e 70 a média era de quase 6 filhos por mulher, atualmente este número orbita em 1,6.

Ingresso ao mercado de trabalho, acesso a métodos contraceptivos e alto custo para a criação dos filhos são alguns dos fatores.A outra questão é a expectativa de vida, na década de 40 a expectativa era 45 anos, atualmente são 73 anos para homens e 79 para mulheres. A longevidade é o resultado de políticas públicas com melhorias em saneamento básico, higiene, avanços e expansão na área de saúde. Apesar de ser um salto no desenvolvimento brasileiro, traz grandes desafios para políticas públicas. O planejamento é voltado para a população jovem, com pouca ênfase nas necessidades dos idosos, o que torna urgente pensar estratégias para atender este grupo. A projeção é que em 2029 a população idosa supere a quantidade de crianças e jovens até 14 anos. 2050 serão 30% da população brasileira.

A previdência social é um bom exemplo. O sistema é um pacto geracional, onde a população ativa contribui e sustenta os aposentados, se as projeções se concretizarem, a população aposentada superará a população ativa. Mesmo com as recentes reformas nas regras de aposentadoria a previdência colapsará.

Na saúde o quadro também é alarmante, o idoso altera a carga de doenças e aumenta o número de atendimento, necessita de especialidades médicas distintas e, de acordo com o IEPS, o sistema brasileiro está pouco preparado para lidar com o grupo, a disponibilidade de recursos humanos e físicos especializados no cuidado de idosos é baixa e não tem crescido na última década”. A renda também é um fator preponderante, quanto menor a renda, menor a saúde.

A proteção ao idoso era responsabilidade apenas do Governo Federal, mas com a PEC 81/2015 alterou as competências legislativas para o estado e municípios, sem isentar o governo federal. O objetivo era estimular políticas locais respeitando as necessidades regionais.

Se entendermos o idoso como uma pessoa autônoma (não necessariamente independente) com necessidades que vão além da saúde integral é necessário pensar em moradia, segurança, participação social, dignidade e qualidade de vida.

O vereador Tião da Solange, trouxe o tema na última sessão com o requerimento 116/2026 e pergunta se há estudos sobre a quantidade de idosos, quais se encontram em situação de vulnerabilidade. Se há fila de espera para acolhimento institucional, se há repasse ou planejamento para criação de abrigo ou centro dia e, se há alguma política pública para dar suporte financeiro às famílias que não possuem condições financeiras ou disponibilidade integral para idosos.

Atualmente, São Sebastião tem o lar vicentino com apenas 26 vagas e há também o “Cuidarte” que oferece day care, mas com valores proibitivos para grande parte da população e a SEPEDI (Secretaria da Pessoa com Deficiência e do Idoso) com algumas atividades voltadas aos idosos.

O vereador tocou um ponto importante, as desigualdades sociais são agravadas na velhice, não só para o idoso, como também para sua família. O cuidado com o idoso recai de forma desproporcional sobre as mulheres, que se vêm divididas entre cuidar dos filhos, trabalho e afazeres da casa, pensar em algum suporte financeiro garantiria alguma tranquilidade para a família e idoso. A antiga administração desapropriou o “clubinho portal da olaria” com o pretexto de criar um abrigo para idosos, mas não encontrei nenhuma informação sobre.

Para saber mais:

IEPS

https://ieps.org.br

Senado Federal https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2025/06/envelhecimento-da-populacao-impulsiona-novas-acoes-em-defesa-dos-idosos

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“Qualquer idiota que fala contra o sistema é aplaudido” https://alcatrazes.com/qualquer-idiota-que-fala-contra-o-sistema-e-aplaudido/ Tue, 19 May 2026 17:31:24 +0000 https://alcatrazes.com/?p=727

A frase, dita pelo presidente Lula em entrevista ao Washington Post é uma síntese do que vivemos hoje. Não só no Brasil ou na América Latina, mas em todo o mundo. Como todo mundo é muita coisa, vamos focar em São Sebastião.

Mas antes de chegar em São Sebastião, completo o pensamento do presidente: “A democracia falhou quando parou de responder às aspirações mais básicas das pessoas.”

Agentes políticos trabalham em prol da população, podem não representar a sua tribo, podem carregar valores que não são os seus, mas é a regra democrática: maioria determina o caminho e não a melhor solução, um dos impasses democráticos e a raiz de muito ressentimento. Alie isto a crescente influência da justiça, órgãos fiscalizadores, tratados internacionais, acordos comerciais e, pasmem, dinheiro. Sim, influência pode ser comprada. Sobra pouco espaço para a maioria decidir, o que já é um problema enorme.

Nossos vereadores. Criticar político engaja público e garante like, o problema é criticar com alguma substância, isto daria trabalho, melhor usar frases de efeito e permanecer na superfície. Não é raro encontrar matérias e postagens criticando os vereadores, o teor é de chorar. Não falam absolutamente nada, os textos são tão genéricos que poderiam ser usados para qualquer vereador, de qualquer cidade. Talvez explique porque tantos são reeleitos. Uma claque segue ressentida, engajando, mas não apresenta soluções, não consegue, sequer, explicar porque não gosta da atuação do vereador. O engajamento e a revolta não ultrapassam o sofá de casa. Articular, pensar propostas e reunir votos dá muito trabalho, melhor chamar todo mundo de ladrão e seguir no sofá.

Fui conversar com alguns dos vereadores, procurei alguns dos quais eu me simpatizo e outros nem tanto. Afinal, o que vocês trouxeram e fizeram para São Sebastião?

Henriana, vereadora de primeiro mandato, trouxe emenda de 600 mil para a construção da ciclovia na Topolândia. João Paulo, outro vereador de primeiro mandato, trouxe dinheiro para reforma da UBS no canto do mar e para a construção de uma piscina na costa norte.

Quando seguimos para vereadores com mais de um mandato, as ações dobram. Só para citar algumas, o vereador Daniel Soares trouxe 1 milhão para o centro de hemodiálise, 300 mil para a reestruturação do society de Cambury, vereador Daniel Simões foi responsável pela ampliação do atendimento médico especializado.

Isto, só para citar alguns dos vereadores e sem citar as emendas impositivas, projetos de leis ou atendimento à população. As verbas de gabinete servem para isto, mobilidade para que o vereador consiga trabalhar. Eu já trabalhei em cidades onde os vereadores não têm nenhuma estrutura, nada acontece. Simples assim.

Outro ponto importante das verbas, segue a mesma lógica do fundo partidário e teto de gastos. Equidade. Tenta equilibrar a participação política do líder comunitário ao empresário cheio de dinheiro. Curioso é ver as mesmas pessoas que criticam as verbas parlamentares, querendo mais representatividade popular. Como isto se daria? Do sofá de casa?

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Partilha dos Royalties e LNSP https://alcatrazes.com/partilha-dos-royalties-e-lnsp/ Thu, 14 May 2026 12:06:14 +0000 https://alcatrazes.com/?p=722

Muito se falou semana passada sobre o julgamento do STF sobre a lei 12.734/2012 que altera drasticamente a partilha de royalties. O processo vem se arrastando desde 2013, quando o estado do Rio de Janeiro entrou com um pedido de liminar, concedida pela ministra Carmen Lucia, para manter as regras da partilha. Com o pedido de vistas do ministro Flávio Dino, o julgamento foi novamente paralisado.

Atualmente a partilha se dá da seguinte forma:

– 08,75% vão para o fundo social, destinado a saúde, educação e agora também a assistência estudantil. O governo federal, através de uma medida provisória de 2025, ampliará o programa “minha casa, minha vida” com recursos do fundo;

– 30% vão para a União. O montante é usado para subsidiar combustíveis, socorrer produtores rurais, mitigar calamidades e para o tesouro nacional sem destinação obrigatória;

– 61,25% ficam entre os estados e municípios produtores a título de compensação pelos impactos causados pela produção e transporte.

Importante frisar que os estados produtores não recolhem ICMS, uma regra constitucional para evitar a concentração em poucos estados. Se aceita a nova regra, União, estados e municípios produtores teriam sua renda drasticamente diminuída, em prol do Fundo Social, que atenderia os municípios não envolvidos na produção/distribuição de petróleo.

O modelo de distribuição está definido pelo artigo 20 da constituição de 1988 e não poderia ser alterado através de lei ordinária, como bem lembrou a Ministra Carmen Lúcia durante seu voto. Argumento suficiente para derrubar a lei 12.734/2012, já que toda e qualquer alteração na Constituição dever ser via PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que exige aprovação de 3/5 dos parlamentares (308 deputados e 49 senadores) em dois turnos em cada casa do Congresso, diferente do voto simples que aprovou a lei.             

Outro ponto citado no voto da ministra é a segurança jurídica. Há planejamento com o recurso, contratos firmados definidos com base na constituição, e ainda, de acordo com a ministra, “Haveria uma imensa má-fé federativa, em que os estados produtores, diferentemente de todas as outras situações, ficariam sem o ICMS na origem, que é a regra geral, e também sem os royalties, o que é uma imensa deslealdade federativa com esses estados”

A AGU também se posicionou contrária a partilha proposta pela nova lei. Para a união, a lei compromete o equilíbrio federal brasileiro e, durante a sustentação oral, lembrou que a constituição já prevê mecanismos para evitar a concentração de recursos. Entretanto, se o Supremo declarar a constitucionalidade da nova lei, o processo deve ser modulado para evitar impactos financeiros para a União e estados produtores. A OAB do Rio também foi admitida no processo e lembrou que os royalties são uma compensação pelo ônus da produção e renúncia ao ICMS. O problema, talvez, esteja no nexo de causalidade. A compensação é determinada em cima da arrecadação e não no impacto pela atividade.

O caso mais crítico é o Rio de Janeiro, o estado é responsável por cerca de 90% da produção do petróleo e 75% de gás natural no país. Entre estado e municípios, são cerca de 21 bilhões por ano, sendo 8 bilhões só para o estado. Estamos falando de saúde, educação, segurança e centenas de empregos. A dependência dos royalties nos municípios produtores é alarmante, só para citar os maiores dependentes: Arraial do Cabo (72% do seu orçamento), Saquarema (66% da sua receita) e a campeã em royalties, Maricá com mais de 4 bilhões em 2025, valor que corresponde a 63% da sua receita.

O litoral norte de São Paulo também depende dos royalties, Caraguatatuba recebeu em 2025 cerca de 105 milhões (cerca de 20% do orçamento anual), seguido por Ilhabela com 228 milhões (cerca de 50% da sua receita), e por fim São Sebastião que recebeu aproximadamente 310 milhões (correspondente a cerca de 28% do orçamento), de acordo com o relatório anual da ANP. É importante lembrar que São Sebastião alterou os valores da partilha em 2023, quando venceu a ação em que questionava as linhas geodésicas do IBGE demarcando a frente dos poços, abocanhando parte dos royalties que eram pagos à Ilhabela.

Ilhabela enfrenta uma crise financeira devido à queda de arrecadação, obrigando a prefeitura a cortar 30% nas despesas veiculadas aos royalties, inclusive na educação. Fato que gerou críticas e inquéritos. Foi a primeira vez em 20 anos que o município atrasou pagamentos. Mesmo com a publicação do decreto nº 11.801/2026 que estabelece contenção e redução de despesas, preservando apenas os salários, encargos e saúde, o município mantém o destaque pela eficiência na gestão dos recursos.

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13ª sessão ordinária – São Sebastião https://alcatrazes.com/13a-sessao-ordinaria-sao-sebastiao/ Wed, 29 Apr 2026 21:31:41 +0000 https://alcatrazes.com/?p=708

A sessão foi marcada pela volta do Prof. Cardim. O vereador, ainda um pouco debilitado, foi recebido com alegria e muitos aplausos.

O tema central dos requerimentos foi a população em situação de rua e atendimento às famílias mais vulneráveis.

O vereador Alex Damasceno solicitou informações sobre os critérios para distribuição de cestas básicas e quais são as medidas tomadas para resolver o problema de pessoas em situação de vulnerabilidade. O requerimento foi subscrito pela vereadora Maria Ângela e João Paulo Teixeira. A vereadora Maria ângela lembrou ainda que, apesar de muito importante, o trabalho das igrejas junto à população de rua, é necessário ação do estado para conter o problema.

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A Sangria do Feminicídio: Controle, Misoginia e a Urgência de Mudança Cultural https://alcatrazes.com/a-sangria/ Mon, 23 Mar 2026 16:02:28 +0000 https://alcatrazes.com/?p=693

A luta pela igualdade de direitos das mulheres, travada ao longo de décadas, trouxe conquistas importantes que hoje são consideradas mínimas, mas fundamentais: o direito ao salário igual ao dos homens na mesma profissão, o direito ao voto, à livre expressão de opinião, ao trabalho fora de casa e ao divórcio. Apesar desses avanços, muitas mulheres ainda não conseguem exercer plenamente o direito mais básico que é escolher com quem se relacionar.

As mulheres ainda são vistas pelos homens como objetos que devem obediência absoluta, o que contribui para a persistência do feminicídio como uma forma de controle e punição.

O aumento registrado nos casos de feminicídio no Brasil — que atingiu recorde em anos recentes, com 1.568 vítimas em 2025, alta de cerca de 4,7% em relação ao ano anterior, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública — pode estar relacionado ao maior acesso das mulheres ao feminismo e à consciência de seus direitos. Ao reconhecerem relacionamentos tóxicos e abusivos, muitas decidem romper com eles. É exatamente nesse momento de tentativa de separação ou rompimento que o risco de feminicídio se intensifica, pois o agressor reage à perda de controle com violência letal. Assim, o crescimento dos números não reflete necessariamente mais violência em si, mas maior visibilidade e denúncia da violência já existente, somada à reação violenta de homens que não aceitam a autonomia feminina.

Além da legislação (como a Lei do Feminicídio) e da atuação efetiva do Estado na aplicação das leis, é essencial ir além: pais e mães precisam assumir responsabilidade na educação dos meninos. Ensinar apenas as meninas a se protegerem é insuficiente; é preciso educar os meninos para o respeito à igualdade e mantê-los afastados de movimentos masculinistas tóxicos, como o denominado **red pill**.

Esse movimento, de caráter misógino, prega a supremacia masculina e a subordinação das mulheres. Ele tem arregimentado principalmente adolescentes e jovens por meio das redes sociais, incluindo plataformas como o Discord  — originalmente usada por gamers para interação online, mas que tem servido de espaço para disseminar ódio às mulheres (misoginia). O que antes eram garotos introvertidos, com poucas conexões sociais ou afetivas não atendidas no ambiente familiar, encontram nesses grupos virtuais um senso de acolhimento e pertencimento. Nesse ambiente, são estimulados e desenvolvem uma visão tóxica em que culpam as mulheres por seus próprios fracassos, frustrações e rejeições, reforçando a misoginia como identidade.

O combate à violência de gênero está, portanto, intrinsecamente ligado à conexão familiar e à educação desde a infância. É no lar que as crianças aprendem a respeitar as diferenças entre meninos e meninas — ou, ao contrário, a diminuir e subjugar as mulheres. Atos simples no cotidiano de uma família fazem diferença:

– Solicitar que o menino participe da limpeza e dos afazeres domésticos, valorizando o trabalho majoritariamente realizado por meninas e mulheres;

– Mostrar que ninguém nasce sabendo faxinar — as meninas são ensinadas, e os meninos também podem e devem aprender;

– Envolver o filho nos cuidados com irmãos mais novos, para que entenda que cuidar de crianças não é “coisa de mulher”, mas responsabilidade compartilhada de pais e mães.

Portanto, para estancar a sangria da epidemia de feminicídio que assola o Brasil, são necessárias ações articuladas em múltiplas frentes:

– Regulamentação mais rigorosa da internet**, com responsabilização das plataformas pelo combate à disseminação de conteúdo de ódio contra mulheres;

– Enrijecimento das penas** para crimes contra a mulher, tornando-os inafiançáveis e com punição efetiva;

– Educação familiar com perspectiva feminista, que ensine desde cedo que meninos e meninas têm iguais direitos e deveres — na esfera social, econômica e política.

Somente com essas medidas combinadas — leis fortes, fiscalização digital responsável e mudança cultural profunda na criação dos filhos — poderemos avançar de fato rumo a uma sociedade em que as mulheres exerçam plenamente sua autonomia sem que sejam mortas por isso.

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Águas de março https://alcatrazes.com/aguas-de-marco/ Thu, 26 Feb 2026 15:42:49 +0000 https://alcatrazes.com/?p=678

Quem vive ou está de passagem pelo litoral norte nesta época do ano é norteado pelas chuvas. Os alertas de tempestade passam a ser quase diários.  São tantos gritos de “É o lobo! É o lobo!” que a gente começa a ficar anestesiada. Não estou reclamando, eu entendo que prever é quase mágica. Previsão de 300 mm, chove 70 mm. Previsão de 150 mm, chove 800 mm.

Você cuidando da sua vida e vem a chuva. A chuva não para. A chuva engrossa. A chuva persiste. Dou uma olhada no rio, dentro da normalidade. Tábua de mares e fase da lua. Equação e fé. E a chuva continua no mesmo ritmo. Começo a percorrer os grupos da cidade para saber sobre barreiras, pontos de alagamento ou acidentes. Acaba a luz e junto com ela a internet. Celular e espiada no rio. E a chuva chovendo, sem se importar com o meu sofrimento. Parece até que fica mais forte, só para me atormentar. Perdi o sono. Moro em um lugar alto, vejo a tragédia de longe, mas preciso de rota de fuga. Nos grupos um monte de oração e frases feitas, pouca informação útil. E culpam a população por jogar lixos na rua, culpam os políticos por não olharem a população. Sério, eu não sei como as pessoas conseguem ficar presas nestes loopings mentais. Não cansam? Eu consigo até visualizar a cara do cidadão quando, no meio de um temporal, gente com água nas canelas e ele decide que o comentário mais inteligente é reclamar do lixo nas ruas. Se liga, palestrinha.

Enquanto eu estava no impasse entre dormir ou correr pelas estradas sem destino, recebo um boletim da prefeitura e defesa civil: Caiu uma barreira em Juquehy e abriram um ponto para receber as pessoas.

Em 2023, após a tragédia que matou 65 pessoas, foi muito difícil saber o que fazer, principalmente porque as informações chegavam desencontradas. Uma das barreiras caiu ao lado da minha casa, a informação correu, mas não impediu que centenas de pessoas tentassem sair da costa sul pela tamoios. Após um breve tempo, recebo outros boletins, mesmo com a chuva ainda forte, fui dormir. situação estava sobre controle. A chuva ainda tentou me intimidar ficando mais forte, não adiantou. Decepcionada, resolveu diminuir o ritmo. Novo alerta, barreira removida e situação sobre controle.

Entendo que os boletins são mais importantes do que os alertas de tempestade. Eu não sei como são disparados os boletins, se estão separados por regiões, ou sei lá quais outros critérios podem balizar o serviço, mas ajudou.

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Aniversário de São Paulo https://alcatrazes.com/aniversario-de-sao-paulo/ Sun, 25 Jan 2026 19:34:32 +0000 https://alcatrazes.com/?p=666

Feliz Aniversário São Paulo!

Imagem e texto de Daniel Navarro

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Sobre trolls, hienas e políticas públicas https://alcatrazes.com/sobre-trolls-hienas-e-politicas-publicas/ Wed, 21 Jan 2026 15:14:01 +0000 https://alcatrazes.com/?p=662

Ontem, dia 20 de janeiro foi comemorado dia de São Sebastião, nosso patrono.

Para quem é de fé, ou não, é hora de respirar fundo e encarar 2026. Ano eleitoral é sempre complicado, mesmo que a eleição não seja para a esfera municipal, as cidades sentem e muito. Tem gente tentando, genuinamente, conquistar um cargo federal (o que seria ótimo para a região), outros testando sua popularidade e a oportunidade para visitar as pessoas mirando futuras eleições e tem também, as hienas. Gente que aparece de tempos em tempos só para tumultuar. Acredita que denúncias e gritarias virtuais vão garantir algum destaque. Dia sim e outro também estas figuras aparecem esbravejando frente a qualquer problema. Curioso que elas pulam de um problema para o outro, com a mesma energia, dependendo da reação da audiência. A questão não é o problema em si, mas a visibilidade que a gritaria e indignação podem gerar.

No começo de janeiro, uma jovem perdeu a vida em um ônibus em São Sebastião. Difícil chamar de acidente, tenho para mim que acidente é outra coisa. Mas estão investigando e eu espero de coração que encontrem os culpados e sejam responsabilizados, perder a vida de uma forma tão banal tornou tudo mais hediondo. Tinha 26 anos e dois filhos. Eis que aparecem os justiceiros de ano eleitoral, querem porque querem politizar. Seguem em manobras mentais mirabolantes para que os aliados sigam inocentes e adversários políticos culpados.  Zero compromisso com a dor, a perda ou a realidade. É só palco. Do dia 6 ao dia 20 de janeiro passamos do “nunca te esqueceremos” ou “justiça para a família” para o total silencio. Não se comenta mais, sabe por quê? Porque a audiência não permitiu a politização do caso.  Eles se envergonham? Imagine. Depois que o circo passou, a família continua em luto. Eu acho que há maneiras mais dignas de ganhar dinheiro, mas enfim.

Depois a grande denúncia do momento era a não publicação da LOA, mesmo com a PPA e a LDO publicadas. Administração publicou a LOA e explicou o atraso por problemas técnicos. O que foi encarado como “um grande erro de gestão” ou ainda que “A sociedade de São Sebastião não pode ser refém de “explicações técnicas”. A figura nunca apareceu em nenhum dos encontros promovidos para a discussão do orçamento e pessoalmente não consigo ver alternativa para discussão pública sem explicações técnicas. Sabe por que este povo não vai até o ministério público? Porque sabem que não há nada ali, só gritaria para tentar alguma relevância.

Agora, a indignação da semana são “áudios vazados” de suposto esquema na banda municipal. Uns três gritaram, como não houve eco, as hienas políticas se recolheram e logo passarão para o próximo assunto.

A cidade passa por problemas sérios, há desafios reais como lixo, meio ambiente, abastecimento de água ou energia, equilíbrio das contas públicas, fluxo turístico, empregos, etc. Há um espaço enorme para discutir a cidade, apresentar soluções ou apontar problemas, mas para as hienas eleitorais o importante mesmo é sua performance.

A sociedade tem dado pistas sobre a mudança de comportamento, acho que cansamos dos TROLLs. Um exemplo bem didático para o que eu quero dizer, foi a participação relâmpago do participante Pedro no BBB, ele era uma figura desinteressante e sabia disto, em busca de relevância tentou emplacar alguns conflitos com comportamento errático. A ideia, apesar de batida, já funcionou outras vezes, o problema foi a execução dele e a exaustão das pessoas, nem o público e nem os outros participantes embarcaram na dele. Não se fala mais dele, nem mesmo para criticar, riscado da vida pública como deve ser.

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Os Galos de Porto de Galinhas https://alcatrazes.com/os-galos-de-porto-de-galinhas/ Tue, 30 Dec 2025 16:16:19 +0000 https://alcatrazes.com/?p=655

Uma cena lamentável percorreu as redes sociais esta semana, um casal de turistas foi espancado por ambulantes em Porto de Galinhas, Pernambuco.

Foi uma sucessão de horrores, durante o linchamento, as vítimas relatam que enquanto tentavam fugir, procuravam policiais ou alguém que pudesse ajudá-las, mas não havia policiamento e as pessoas só filmavam. Finalmente apareceram alguns bombeiros que, conseguiram a muito custo, tirá-los de lá. Chegando no hospital, não havia equipamento para atendê-los e nem ambulância. Pagaram do bolso a ambulância e alguns exames. Enquanto a governadora de Pernambuco fala nas redes sociais, eles se encontram presos no hotel com medo de saírem às ruas.

A história começou com os preços abusivos, grosserias e uma conta final que não correspondia com o valor acertado previamente. O casal era grosseiro? Não era? o que importa? Adoraria receber dobrado a cada grosseiro que eu encontro, mas não é assim que funciona. Há dezenas de comentários, vídeos e depoimentos nas redes sociais, publicados muito antes da tragédia, e todos acabam corroborando a versão do casal. Há uma cultura de exploração e coerção. A outra opção é reconhecer que há uma grande conspiração mundial contra os ambulantes de Porto de Galinhas.

Onde estão os vereadores e prefeito de Ipojuca? Procurei nas redes e achei uma declaração genérica do prefeito. Um local turístico que recebe quase 2 milhões de pessoas por ano não tem ambulância? Não tem um hospital ou um pronto socorro equipado? Não tem policiamento? Quais são as regras para emitir a licença? Há um teto para as licenças ou quanto mais melhor?

A história me lembrou um acontecimento no começo do ano em Salvador. Os ambulantes resolveram fazer greve porque a prefeitura determinou que as barracas só seriam montadas mediante solicitação do cliente. Os ambulantes fizeram greve e a população aplaudiu. Foi uma greve com grande apoio popular. torciam para que durasse bastante. A praia do Porto da Barra ficou linda sem aquela poluição visual.

A verdade dolorosa é que, sem regramento, estamos a um passo do caos. É legítimo o trabalho do ambulante, se bem-organizado. Alguns anos a prefeitura de São Sebastião limitou o número de barracas por ambulante e determinou que só poderiam montá-los mediante solicitação, o que foi um alívio, não era raro encontrar a praia tomada por guarda-sóis vazios esperando clientes. A praia é pública, utiliza os serviços dos ambulantes quem quer. O litoral norte de São Paulo, como um todo, busca caminhos para encontrar um equilibro, mas não é fácil. O aumento excessivo da população sobrecarrega os serviços e que só piora com o efeito que as frases “estou trabalhando” ou “trabalhei o ano todo” produz nas pessoas. Uma falsa sensação de que você pode fazer o que quiser. Amigão, todo mundo trabalha, ninguém ganha medalha ou vira herói nacional depois de um dia de trabalho.

Estima-se que em 2025 o Brasil recebeu 9 milhões de turistas estrangeiros, só para fazer uma comparação, Vietnã recebeu mais de 21 milhões no mesmo período. Se este número dobrasse em 2026, teríamos condições de recebê-los?

Outro ponto é a como nós nos transformamos em produtores de espetáculo. Você vê uma pessoa sendo linchada e sua primeira reação é sacar o celular e gravar. Sério? Minha crítica passa longe de profissionais que conseguem manter o foco mesmo durante os momentos mais críticos, cobrir guerras e desastres não é para qualquer um, eu mesma sou do tipo que larga a câmera e tento ajudar. Documentar situações extremas é fundamental e os celulares são responsáveis por muito mais transparência nas relações interpessoais. Mas, posto tudo isto, ainda assim, me choca ver pessoas gravando o sofrimento alheio por diversão. Parabéns pelo engajamento!

Seria fácil se o problema fosse só em Porto de Galinhas, mas não é. Verão virou sinônimo de sofrimento: música alta 24h por dia, filas quilométricas para qualquer coisa, brigas generalizadas, gente bebendo pelas ruas como se não houvesse amanhã, trânsito caótico enquanto você derrete sobre um calor de mais de 40º. Tenho para mim que, se existir inferno, é assim que as pessoas malvadas vão passar a eternidade: Presos no verão brasileiro com seu sofrimento gravado pelos transeuntes 24h por dia.

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São Sebastião inicia mobilização para criar sua Cadeia Produtiva Local do Turismo com apoio do SEBRAE https://alcatrazes.com/sao-sebastiao-inicia-mobilizacao-para-criar-sua-cadeia-produtiva-local-do-turismo-com-apoio-do-sebrae/ Tue, 25 Nov 2025 23:42:36 +0000 https://alcatrazes.com/?p=637

A Associação São SebaTurismo — primeira associação de Turismo que une todo o Município, fundada em 2023 — está liderando um movimento estratégico para estruturar a Cadeia Produtiva Local (CPL) do Turismo de São Sebastião, em consonância com o Decreto Estadual nº 67.762/2023, que institui o Programa de Desenvolvimento de Cadeias Produtivas Locais no Estado de São Paulo.

Como parte do processo de habilitação oficial da CPL, será realizada no dia 26 de novembro, no Villa’ Mare Hotel, a Oficina de Planejamento Participativo (OPP), conduzida pelo SEBRAE, instituição reconhecida pela excelência em metodologias de desenvolvimento territorial e articulação de redes produtivas.

A criação de uma CPL permite ao município acessar novas possibilidades de captação de recursos, programas estaduais e federais, articulação interinstitucional, fortalecimento da governança e desenvolvimento econômico integrado. O processo também favorece a geração de emprego e renda, a qualificação dos produtos turísticos e o fortalecimento da competitividade de São Sebastião como destino sustentável.

A OPP é aberta a todos que fazem parte direta ou indireta da cadeia produtiva do turismo, incluindo empresários, prestadores de serviços, comunidades tradicionais, instituições públicas, produtores locais, setor acadêmico, entidades representativas e profissionais liberais.

Segundo a direção da São SebaTurismo, “a habilitação como CPL é uma oportunidade histórica para unirmos o território em torno de uma agenda de impacto, com visão de futuro, governança e sustentabilidade. É a chance de consolidar um modelo de desenvolvimento mais colaborativo, inovador e alinhado às vocações locais”.

Informações da OPP – São Sebastião
Data: 26/11
Local: Villa’l Mare Hotel
Duração: 1 dia de trabalho colaborativo
Inscrição: https://abrir.link/HlTnC
Realização: Associação São SebaTurismo
Facilitação: SEBRAE – OPP
Amparo Legal: Decreto Estadual nº 67.762/2023, que institui o Programa Estadual de Desenvolvimento de Cadeias Produtivas Locais

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