Algumas semanas atrás, após o texto sobre os idosos, acabei conhecendo a Mara e ela me contou um pouco sobre seu trabalho em Cunha, acabou saindo uma entrevista sobre o assunto.
Me fale do seu trabalho em Cunha. Há outros lugares que você atua?
Atualmente desenvolvo meu trabalho na área da cultura do envelhecimento, com foco em estimulação cognitiva, longevidade ativa e cuidado integral da pessoa idosa. Em Cunha, atuo principalmente com projetos voltados à promoção de qualidade de vida, prevenção do declínio cognitivo e fortalecimento de vínculos sociais e afetivos.
Além disso, também estou estruturando o Projeto Tempo de Si, que amplia essa atuação para uma abordagem mais integrativa da longevidade, conectando saúde, ambiente, cultura e pertencimento. É um projeto que vem ganhando parcerias e diálogos com outras instituições e profissionais em diferentes regiões.
Como você vê a situação do idoso atualmente? Algumas ações mais simples que podem fazer a diferença?
Vejo que vivemos um momento importante de transição. Por um lado, temos o aumento da longevidade, o que é uma conquista da sociedade. Por outro, ainda existe um grande desafio em relação à qualidade desse envelhecer.
Muitos idosos vivem situações de isolamento, sobrecarga emocional, perda de autonomia e, principalmente, falta de pertencimento social.
Ações simples podem fazer grande diferença: escuta qualificada, convivência social ativa, atividades cognitivas, estímulo à autonomia, além de pequenas mudanças na rotina que tragam mais sentido ao dia a dia, como conversas significativas, estímulos culturais e participação em grupos.
Quais os maiores problemas que o idoso enfrenta no Brasil?
Entre os principais desafios estão o isolamento social, o idadismo (preconceito etário), a fragilidade das redes de cuidado, além da sobrecarga dos serviços de saúde e assistência.
Também há questões relacionadas à saúde mental, como depressão e ansiedade, muitas vezes não diagnosticadas, e a dificuldade de acesso a atividades que promovam autonomia e qualidade de vida de forma contínua.
Mulheres sozinhas são o grupo que mais cresce entre os idosos. É necessária alguma atenção especial ou não há interferência do gênero na questão?
Sim, há uma interferência importante do gênero no processo de envelhecimento. As mulheres vivem mais, mas muitas vezes envelhecem em condições de maior vulnerabilidade social, econômica e emocional.
Muitas chegam à velhice sozinhas, após trajetórias marcadas por sobrecarga de cuidado ao longo da vida. Por isso, é fundamental olhar com atenção para esse grupo, considerando não apenas aspectos biológicos, mas também sociais, afetivos e culturais.
