Tem circulado um mapa da América Latina todo em azul, apenas o Brasil e Uruguai em vermelho, sempre com frases de efeitos de ambos os lados. Eleições são um período curioso.
Para além do óbvio, o passado desaparece, surgem inimigos imaginários e problemas complexos encontram soluções rápidas e fáceis.
Tanta faixa, santinho, declarações, debates acalorados mascaram problemas reais, como a influência estrangeira em território nacional, nada contra os imigrantes, falo do espírito colonialista de algumas nações. Há quem chame de amizade.
Há método: desacreditar as instituições democráticas, grupos políticos e agentes instigando a população através de matérias tendenciosas, sanções comerciais, colapso e convulsão social para finalmente tomar o poder. Na década de 60 a alternativa foi usar os militares de cada país, hoje a roupagem é mais adequada ao nosso tempo, chegam ao poder através das urnas. Há quem chame de desenvolvimento.
Argentina e agora Colômbia e Peru estão em um brutal processo de neocolonização, a ilusão é achar que pelas urnas a humilhação e sofrimento serão menores. Não serão. A Argentina passa fome, serviços essenciais foram privatizados e uma das sugestões do governo é vender parte de seu território a estrangeiros. Trump, sempre que pode, faz declarações jocosas sobre a Argentina. Nem a gratidão estadunidense os argentinos têm. Matérias e jornalistas persistem em elogiar a economia citando, o controle da inflação, só não explicam que, sem dinheiro, cai a demanda e os preços. A fome como instrumento de controlar a economia. Há quem chame de liberdade.
Se por algum motivo houver resistência da população, os colonizadores perdem o pudor e submetem o país e a população a mais absoluta humilhação com silencio e aquiescência dos demais países. Começam as sanções, sem alternativa comercial, o país empobrece e se degrada, pessoas passam fome, ao ponto de aceitarem qualquer coisa. Curiosamente, a Venezuela não ocupa mais o mesmo espaço nos jornais, de repente, a falta de eleições não é mais um problema. A Venezuela é governada pelo sistema home office e sua reserva de 31 toneladas de ouro foi semana retrasada transferida para os EUA. Pronto. EUA ganha um pouco mais de autonomia energética enquanto engorda os cofres. Há quem chame de democracia.
E nós? O Brasil está melhor que nossos vizinhos. Em 2005 Lula quitou a dívida com o FMI, e em 2006 quitamos nossa dívida com o Clube de Paris (tornamos membro credor permanente em 2016), encerrando o monitoramento estrangeiro. Ampliamos nosso mercado internacional e os EUA deixaram de ser nosso maior parceiro comercial, antes, estávamos à mercê das variações internas do país. Somos também cofundadores do BRICS, fortalecendo outros meios de comércio e diminuindo a dependência do dólar e suas flutuações (naturais e artificiais). Há quem chame de colapso financeiro.
O Brasil é autossuficiente em água, alimento e reserva energética, possui 172 toneladas em ouro e 320 bilhões em reserva. O pré-sal, tão inalcançável, começou a ser extraído após 2 anos de descoberto, com tecnologia desenvolvida pela PETROBRAS, a mesma empresa referência em tecnologia para o mundo. Ah, produzimos aviões também, mas há quem chame de país de ignorantes.
O Brasil, como os demais países, tem sofrido ataques do governo estadunidense para minar sua autonomia, seja abertamente, através de tarifas, aliciamento de jornalistas e campanhas difamatórias das instituições democráticas ou por procuração, através dos nossos vizinhos, já devidamente adestrados. É muito importante lembrar que os EUA são o maior acionista do FMI, e já foram nosso maior parceiro comercial. Se não tivéssemos quitado nossa dívida com o FMI, e ampliando nosso mercado internacional, seria impossível resistir ao saque estadunidense. Há quem chame de “ingressar no escudo das américas”
Trump quer colocar a sua casa em ordem e não vê problema em obrigar o planeta a pagar a conta. Não vê problema em humilhar signatários de outros países, jogar umas bombas por aí ou simplesmente extorquir. mas há quem diga que é “fazer a América grande novamente”,
Eu ainda prefiro o “Brasil é dos brasileiros”
