O Tomador de Conta

Aqui em São Sebá, sou um faz quase-tudo. Além de pescar, eu também faço
rango (e lavo a louça, sim), passo uma vassoura na área externa (tá bom, tá
bom, de vez em quando), espalho quirera e ponho bananas para os
passarinhos no quintal, cuido da frente da casa, do jardim e de minhas plantas
– meu caramanchão de maracujá está carregado (da primeira florada e logo
vou colher alguns para dar uma cor à minha vodca), além de fazer um monte
de outras coisas que um bom tomador de conta faz.

Sim, eu tomo conta de algumas coisas porque, se eu não fizer, ninguém faz (ou
ninguém faz porque eu faço, sei lá) – tipo apagar luzes em cômodos vazios,
desligar a TV quando ninguém está vendo, colocar água no filtro, esvaziar os
cestinhos de lixo, tirar o lixo, separá-lo e colocá-lo no lugar certo para a coleta
etc etc etc – ou seja, o mesmo que todos fazemos em nossas casas.
Mas não o Almeida. Ele não toma conta só da casa dele. Ele toma conta de
tudo de todo mundo. O que ele vê ou sabe tem que estar do jeito que ele acha
certo. Vive criticando a forma com que os vizinhos fazem qualquer coisa:

Abril/2014

sobre o autor

  • Luiz Carlos Correard Pereira, o “Luiz Mascaranha” (1950), é paulista de Lorena. Engenheiro Mecânico por formação e biólogo amador por paixão, desde que se entende por gente desenha, escreve poemas e trovas, alguns contos e muitas crônicas, com publicações em redes sociais e no site “Recanto das Letras”.

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